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AVALIAÇÃO – Leapmotor C10 com tecnologia REEV mostra que os híbridos podem evoluir

SUV chega com proposta diferente: rodar sempre no modo elétrico, com autonomia ampliada e um pacote digital que coloca o modelo à frente de muitos concorrentes

Por Ernesto Zanon – @ernesto_zanon

 

O mercado brasileiro começa a receber um dos SUVs mais interessantes quando o assunto é eletrificação. O Leapmotor C10 desembarca no país com uma proposta que foge do padrão dos híbridos tradicionais e, na prática, entrega uma experiência muito mais próxima de um carro elétrico. O Carro Express avaliou o modelo Reev, o top, durante uma semana, quando pode perceber que está na hora de mudar nossa forma de olhar para os carros.

Importante destacar que o modelo chegar com a chancela da Stellantis. A parceria global com a Leapmotor dá musculatura ao projeto e reduz aquela desconfiança comum quando uma marca chinesa estreia no país. Aqui, há estrutura, distribuição e estratégia por trás.

No C10, quem move o carro é sempre o motor elétrico. O motor a combustão não traciona as rodas em nenhum momento — ele funciona apenas como gerador de energia. É o chamado sistema REEV, que começa a ganhar espaço no mundo justamente por resolver um dos maiores problemas dos elétricos: a autonomia.

Na prática, o motorista tem aquela condução silenciosa, com resposta imediata do acelerador, típica dos elétricos, mas sem a preocupação constante de encontrar um ponto de recarga. O próprio carro se encarrega de manter a bateria alimentada quando necessário.

Deixamos a autonomia baixar a 7 quilômetros. Sem precisar recorrer ao carregamento externo, a partir da função power, quando o motor a combustão passa a funcionar o tempo todo, em algum tempo, retomamos a mais de 30 quilômetros, sempre com a indicação de que a autonomia total seria bem maior. Com tanque cheio e baterias carregada, promete mais de 900 quilômetros sem precisar parar. Mas se quiser economizar em gasolina, ele pode ter as baterias carregadas externamente também.

Esse conceito, que ainda é pouco explorado no Brasil, coloca o C10 em uma posição interessante. Ele não depende totalmente da infraestrutura, mas também não abre mão da eficiência elétrica.

Por dentro, a proposta segue a mesma linha de ruptura. O interior é praticamente todo digital, com mínima presença de botões físicos. Tudo passa por telas e sistemas inteligentes, reforçando a ideia de que o carro está mais próximo de um dispositivo conectado do que de um automóvel convencional.

O acesso já mostra isso. Não há chave tradicional. O motorista pode entrar utilizando um cartão e controlar diversas funções diretamente pelo celular. Atualizações de software acontecem de forma remota, e o carro evolui com o tempo, algo que ainda é novidade para boa parte do mercado brasileiro.

A central multimídia domina o painel, acompanhada de um conjunto de assistentes de condução e conectividade avançada. Não é exagero dizer que é um carro pensado para um novo perfil de consumidor, mais conectado e menos dependente de soluções tradicionais.

E quando se olha para o preço, o conjunto chama ainda mais atenção. O C10 chega na versão ultra-híbrida REEV por R$ 219.990, posicionando-se de forma competitiva dentro do segmento, especialmente considerando o nível de tecnologia embarcada.

No fim das contas, o Leapmotor C10 não é apenas mais um SUV eletrificado. Ele representa uma mudança de abordagem. Menos dependência de infraestrutura, mais inteligência embarcada e uma experiência de uso que aponta claramente para o futuro.

Se vai conquistar o brasileiro, o tempo vai dizer. Mas uma coisa já é certa: ele eleva o nível da discussão.