Estadão

Barômetros Globais têm leve recuo em fevereiro após alta em janeiro, diz FGV

Depois de iniciarem o ano em alta, os Barômetros Globais Coincidente e Antecedente da Economia, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) recuaram ligeiramente em fevereiro, consolidando o movimento de acomodação iniciado em dezembro de 2021, após cinco meses de quedas expressivas.

O Barômetro Econômico Global Coincidente caiu 0,3 ponto em fevereiro, para 107,9 pontos, enquanto o Barômetro Econômico Global Antecedente recuou 0,2 ponto, para 99,6 pontos. O resultado do Barômetro Coincidente foi influenciado principalmente pelo Hemisfério Ocidental, enquanto o do Barômetro Antecedente pela região da Ásia, Pacífico & África, informou a FGV.

O indicador coincidente sinaliza um ritmo de atividade da economia mundial ainda superior ao da média histórica nos primeiros meses de 2022, enquanto o indicador antecedente indica continuidade do processo de normalização.

"O cenário apontado pelo desempenho do barômetro coincidente nos dois primeiros meses de 2022 demonstra estabilidade em torno de uma perspectiva de continuidade de crescimento do nível de atividades. Ao mesmo tempo, o barômetro antecedente indica que esse crescimento não deve acelerar de forma significativa nos próximos meses, em um contexto em que os problemas das cadeias de suprimentos ainda não foram completamente superados, e a política monetária ao redor do mundo deve passar a priorizar o combate à inflação", avalia Paulo Picchetti, pesquisador do Ibre da FGV.

Em fevereiro de 2022, os indicadores das regiões pesquisadas evoluíram de forma heterogênea. O indicador do Hemisfério Ocidental é o único a contribuir negativamente, em menos 0,8 ponto, para a queda do Barômetro Coincidente Global, enquanto o da Europa ficou estável no mês e o da região da Ásia, Pacífico e África contribui positivamente, em 0,5 ponto.

Apesar da contribuição nula da Europa no resultado mensal, o indicador regional da região continua sendo o maior entre as três regiões, com o indicador na faixa dos 112 pontos.

Apenas o indicador da Economia Geral (avaliações dos consumidores e agregadas empresariais) recuou em fevereiro. Os demais setores apresentaram evolução positiva no mês, com destaque ao Comércio, que subiu 6,0 pontos na margem, ficando logo abaixo do nível da Indústria. Com o resultado, essa é a primeira vez desde maio de 2017 em que o indicador da Economia Geral registra o menor nível entre os indicadores setoriais.

Já o Barômetro Global Antecedente antecipa os ciclos das taxas de crescimento mundial em três a seis meses. A região da Ásia, Pacífico e África é a única a contribuir negativamente para a evolução do Barômetro Antecedente em fevereiro de 2022, com menos 2,1 pontos. O Hemisfério Ocidental contribui positivamente com 1,6 ponto, seguido da Europa, com 0,3 ponto.

"Esta é a primeira contribuição positiva do Hemisfério Ocidental desde maio de 2021", destacou o Ibre da FGV.

Em fevereiro de 2022, houve queda em três dos cinco indicadores antecedentes setoriais: Indústria, Comércio e Serviços. Os demais indicadores sobem no mês, com destaque para o indicador da Economia Geral, com alta de 8,0 pontos. Apesar disso, o resultado mantém o descolamento entre as percepções de empresas e de consumidores.

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