Estadão

BC independente foi o primeiro a se mover contra a inflação, diz Guedes

Citando as previsões mais baixas de inflação, que apontam para queda dos juros no ano que vem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a dizer nesta quarta-feira, 21, que a política monetária voltará a soprar a favor da economia. "Estamos transitoriamente com juros mais altos, mas isso, ano que vem, está caindo", afirmou o ministro, que, dois dias depois de criticar os alertas de risco fiscal emitidos pelo Banco Central (BC), aproveitou a participação em congresso do setor automotivo em São Paulo para fazer afago ao presidente da autarquia, Roberto Campos Neto. "O BC independente foi o primeiro a se mover contra a inflação, mérito de Campos Neto."

O ministro esteve no período da manhã na cerimônia de abertura do congresso realizado pela Fenabrave, associação das concessionárias de automóveis, em centro de convenções na zona sul da capital paulista.

Em seu discurso, Guedes apresentou uma economia que se recupera rápido do choque da pandemia, repetindo a previsão de crescimento próximo a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, na contramão das economias desenvolvidas (Estados Unidos e Europa), que vivem um quadro de estagflação.

O ministro também destacou o crescimento dos investimentos para perto de 19% do PIB e, a uma audiência de empresários do setor de distribuição de veículos, reciclou a promessa de "reindustrializar" o Brasil a partir da energia barata, atrativo do Brasil num momento em que as economias ocidentais buscam alternativas ao petróleo russo. "O Brasil é um país com matriz energética mais flexível, diversificada e barata do mundo", declarou Guedes.

Depois de ouvir do ministro da Agricultura, Marcos Montes, presente também na abertura do evento, que o agronegócio é alvo de barreiras comerciais disfarçadas de preocupações humanistas, e que, quem imputa ao Brasil a responsabilidade pelo desmatamento ilegal não só falta com a verdade como está trabalhando contra o País, Guedes observou que não há recursos para zerar o desmatamento no curto prazo. Mas esta, assegurou, é a meta. "O Brasil vai receber para manter a floresta que nós já mantivemos", disse.

Desta vez, Guedes foi mais contido do que em eventos anteriores nas declarações de teor político, porém, em meio à campanha pela reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), voltou a afirmar que a América Latina, tomada pela esquerda, está desmanchando, e que governos anteriores quebraram o Estado, particularmente as estatais.

<b>Bônus de outorgas pagos</b>

O ministro da Economia disse também que o Brasil seguirá crescendo por conta dos investimentos contratados, apesar dos "juros altos", e da expansão dos programas sociais, que reforça o consumo de baixa renda. "O Brasil vai continuar crescendo porque o consumo das rendas mais baixas está reforçado", declarou o ministro, ao destacar que os programas de transferência de renda são hoje três vezes superiores aos de governos anteriores.

Guedes também considerou falso o discurso de que 33 milhões de pessoas passam fome no País. "É mentira, é falso."

E afirmou: "O Brasil tem uma economia resiliente, que bateu no fundo e voltou com força porque mudamos o modelo. Estamos no caminho da prosperidade."

Ao atualizar números de investimentos, o ministro disse que R$ 179 bilhões já foram dados de entrada em bônus de outorga pelo direito de investimentos de R$ 980 bilhões nos próximos dez anos. "Temos quase dois planos Marshal", comentou o ministro, aproveitando esse momento da palestra para enaltecer o trabalho do ex-ministro da Infraestrutura, Tarcisio de Freitas, que concorre ao governo de São Paulo.

"Podem fazer o barulho que quiserem, mas o caminho é para o outro lado, da prosperidade", assinalou Guedes.

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