Estadão

Bolsa vira no fim e fecha em leve alta de 0,14%, a 127.429,17 pontos

Bem moderado ao longo da tarde, e afinal neutralizado, o Ibovespa apagou o sinal negativo e obteve leve ganho de 0,14%, aos 127.429,17 pontos no fechamento desta segunda-feira, após queda de 1,74% na sessão anterior, que o distanciou um pouco mais da faixa de 129 a 130 mil pontos que predominava em junho. Faltando duas sessões para o fim do mês, o Ibovespa oscilou nesta segunda entre mínima de 126.628,95 e máxima de 128.066,87 pontos, com giro financeiro a R$ 31,4 bilhões. No mês, os ganhos estão em 0,96% e, no ano, a 7,07%.

Neste começo de semana, fatores internos – a má recepção à proposta de tributação apresentada pelo governo na última sexta, mesmo dia em que houve desdobramentos negativos na CPI da Covid, com potencial para dificultar a governabilidade de Jair Bolsonaro – conjugaram-se a externos, especialmente a cautela sobre a variante Delta do coronavírus, para segurar o Ibovespa, em dia em geral cauteloso também desde a sessão asiática à europeia e americana.

"Houve uma reação diferente na sexta-feira ao pacote tributário, na medida em que se coloca na conta que o governo não costuma obter aprovação para suas iniciativas exatamente da forma como são encaminhadas. Desta vez foi diferente, e há muita atenção agora para a tramitação, em busca de mais clareza sobre essas medidas", diz Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. "É natural então esta cautela em começo de semana com dados importantes, como o Payroll americano, e aqui o IGP-M, novos dados de confiança e também sobre o mercado de trabalho brasileiro", acrescenta Cruz.

Sobre o cenário externo, Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch, observa que se, por um lado, o pacote de infraestrutura nos Estados Unidos, embora em dimensão abaixo da esperada inicialmente, sinaliza mais liquidez para a economia americana, por outro a variante Delta do coronavírus parece ganhar força global no momento em que a melhora da situação sanitária tem resultado em normalização da vida social e econômica.

"É preciso acompanhar o efeito que essa variante terá, principalmente sobre a situação hospitalar", diz Attuch, acrescentando como exemplo Israel, um dos países que mais avançaram com a imunização em massa, e que recentemente voltou a exigir o uso de máscaras em ambientes fechados. "O pico de crescimento econômico nos Estados Unidos provavelmente já ficou para trás, enquanto, na Europa, deve ser atingido no terceiro ou no quarto trimestre", acrescenta.

Na ponta negativa do Ibovespa, destaque para perdas de 2,62% em Iguatemi; de 2,11% em JHSF; de 1,98% em BR Malls, e de 1,94% em Cosan no fechamento desta segunda-feira. Entre as blue chips, o dia também foi negativo para Petrobras (PN -0,17%, ON -0,44%), Vale ON (-1,60%) e para grandes bancos, com perdas entre 0,49% (Bradesco PN) e 1,14% (Itaú PN). Na ponta positiva do Ibovespa, destaque nesta segunda-feira para CVC (+3,62%), Qualicorp (+3,34%) e Ambev (+3,24%).

"Os grandes bancos são grandes pagadores de dividendos e, por isso, diretamente afetados pela possibilidade de taxação em 20% da distribuição dos lucros nesse formato no curto prazo. Por outro lado, no longo prazo, aumenta o estímulo para que essas empresas reinvistam em seus próprios negócios, o que é positivo para seu crescimento e deve amenizar o efeito negativo nas ações", aponta Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos.

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