Estadão

Bolsas de NY fecham em alta, em recuperação apesar de pressão de Treasuries pós-payroll

As bolsas de Nova York fecharam em alta nesta sexta-feira, 5, em recuperação após as fortes perdas véspera. Investidores resistiram à pressão dos Treasuries e foram às compras nos mercados acionários, após o relatório de emprego payroll indicar um mercado de trabalho ainda robusto nos Estados Unidos.

O índice Dow Jones subiu 0,80%, aos 38.904,04 pontos; o S&P 500 ganhou 1,11%, aos 5.204,34 pontos; o Nasdaq avançou 1,24%, aos 16.248,52 pontos. Na semana, no entanto, as referências perderam 2,27%, 0,95% e 0,80%, respectivamente

A criação de 301 mil empregos em março nos EUA surpreendeu até mesmo as previsões mais otimistas e elevou as dúvidas sobre a capacidade do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de cortar juros no primeiro semestre deste ano.

O resultado levou a curva futura a reduzir precificação de que o ciclo de relaxamento monetário começará em junho, conforme mostrou a plataforma de monitoramento do CME Group. No fim da tarde, o cenário de manutenção já aparecia com mais força naquele mês.

Neste quadro, a diretora do Fed Michelle Bowman evitou até descartar o risco de mais aumento de juros à frente, sobretudo caso os progressos contra inflação sejam travados. A presidente da distrital de Dallas, Lorie Logan, expressou preocupação quanto ao quadro geral. Já o líder da regional de Richmond, Thomas Barkin, reconheceu que o payroll veio "forte".

O Jefferies já alerta para o crescente risco de que o Fed não afrouxe a política este ano, diante dos sinais de que a economia permanece resiliente. "Independentemente de se autoridades do Fed começarem a falar em mais subidas das taxas, os dados certamente deverão dissuadi-los de falar em iniciar um ciclo de cortes", avalia o banco.

Esse ambiente geral puxou as taxas dos Treasuries para cima, mas foi insuficiente para impedir as ações de se firmarem no positivo em Wall Street. Em particular, os papéis de tecnologia exibiram valorização acentuada: Meta subiu 3,21% e Microsoft avançou 1,83%. Apple aumentou 0,45%, depois da notícia de que demitiu 600 funcionários após cancelar projeto de carro elétrico.

Uma das exceções, Tesla chegou a despencar 6% nas mínimas do dia, após a <i>Reuters</i> revelar que a empresa desistiu de desenvolver um automóvel de baio custo. Em seguida, o CEO da companhia, Elon Musk, negou a veracidade da reportagem e, no fim, a ação fechou em baia um pouco mais leve, de 3,63%.

Johnson & Johnson (J&J) baixou 0,07%, no dia em que foi anunciado um acordo que prevê a compra da Shockwave Medical por cerca de US$ 13 bilhões.

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