Estadão

Bolsas de NY fecham sem sinal único, após retorno de feriado e com cautela

As bolsas de Nova York fecharam sem sinal único nesta terça-feira, 6, com reabertura do mercado após o feriado de ontem e os recordes históricos de fechamento da última sexta-feira. Indicadores nos Estados Unidos, repressão da China contra empresas de tecnologia e expectativa pela ata da reunião mais recente do Federal Reserve (Fed) estimularam uma sentimento de cautela. Um dos resultados foi o recuo nos rendimentos dos Treasuries, o que pressionou as ações dos bancos, mas beneficiou os papéis das techs. Em dia de noticiário agitado para a empresa, a Amazon teve forte alta, dando fôlego ao Nasdaq, que renovou recorde histórico de fechamento.

O índice Dow Jones recuou 0,60%, a 34.577,37 pontos, o S&P 500 caiu 0,20%, a 4.343,54 pontos, e o Nasdaq teve alta de 0,17%, a 14.663,64 pontos.

O analista da Oanda Edward Moya acredita que a série de "vitórias" com recordes seguidos do S&P 500 esteja chegando ao fim. "O apetite pelo risco está fugindo com os investidores voltando do feriado prolongado com algumas manchetes nervosas", aponta. Entre os aspectos, o profissional destaca a repressão da China contra empresas de tecnologia, com destaque para a Didi, que recentemente realizou seu IPO em Nova York. As ações da empresa despencaram 19,58% hoje, e outras empresas do país também recuaram, com suas aberturas de capital sob risco. "A China forneceu um cenário forte para o apetite pelo risco ao longo dos anos, mas ultimamente parece que as coisas estão indo na direção errada", avalia Moya.

O mercado também operou em compasso de espera pela publicação amanhã da ata da reunião de junho do Fed. A expectativa por um conteúdo hawkish gera cautela, uma vez que no encontro houve uma antecipação das estimativas para alta de juros. Sobre as publicações dos índices gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês), a avaliação é de que o setor de serviços dos EUA ainda está forte e, embora as pressões de preços permaneçam, "este relatório não fornece nenhum novo sinal que apoie o argumento de que a redução gradual deve ocorrer antes do início do próximo ano", aponta o analista da Oanda.

Já os rendimentos do Treasuries recuaram após a publicação dos dados, pressionando as ações do bancos. Citigroup (-3,10%), Bank of America (-2,62%), JP Morgan (-1,68%), Wells Fargo (-3,51%) recuaram. Outro setor com importantes quedas foram o das petroleiras, pressionadas pela baixa nos preços do barril, que acompanha o impasse na Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+). Chevron (-1,92%) e ExxonMobil (-2,79%) recuaram. Por outro lado, as ações da Amazon se destacaram, e subiram 4,69%, após a notícia de que o Pentágono cancelou um contrato de computação em nuvem com a Microsoft, que ficou estável. Além disso, hoje houve a saída oficial do agora ex-CEO da companhia Jeff Bezos.