Um levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/POLOS-UFMG) revelou que o Brasil registrou cerca de 150 mil episódios de violência contra pessoas em situação de rua entre 2014 e 2023.
Os dados fazem parte do estudo A Cartografia Invisível: 10 anos de Violência contra a População em Situação de Rua, que aponta ainda que o número real de ocorrências pode ser significativamente maior devido à subnotificação dos casos.
O tema voltou a ganhar destaque após um episódio ocorrido em abril deste ano, em Belém (PA), quando um homem em situação de rua foi agredido por estudantes universitários. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram os jovens aplicando descargas elétricas na vítima, um homem negro que vive nas ruas há pelo menos seis anos.
Segundo o estudo, aproximadamente 70% das vítimas não procuram atendimento ou apoio institucional após sofrerem algum tipo de violência. Entre os principais motivos estão o medo, a desconfiança nas instituições públicas, experiências anteriores de discriminação e dificuldades de acesso aos serviços de assistência e proteção.
De acordo com o coordenador do observatório, o professor André Luiz Freitas Dias, a pesquisa identificou uma subnotificação crônica dos casos envolvendo a população em situação de rua. Para ele, os registros oficiais representam apenas uma parcela da violência efetivamente sofrida por esse grupo social.
O estudo destaca que a invisibilidade social e as barreiras institucionais contribuem para que muitos episódios não sejam comunicados às autoridades, dificultando a formulação de políticas públicas mais eficazes para prevenção e proteção dessa população.


