Estadão

Brasileiro desconfia de discurso de empresas

Os brasileiros estão mais céticos em relação ao cumprimento das responsabilidades socioambientais pelas empresas. Estudo do Instituto Akatu (de valorização do consumo consciente) em parceria com a consultoria GlobeSkan mostra que, em 2021, houve uma queda generalizada na avaliação do consumidor sobre o comprometimento das companhias com a sociedade e o meio ambiente.

No setor de petróleo, por exemplo, que registrou o pior desempenho, o índice passou de -13% (respostas negativas subtraídas das positivas) em 2020 para -47% neste ano. No total, 47% dos segmentos econômicos analisados apresentaram resultado negativo.

Na comparação com outras 18 nacionalidades, o brasileiro também é mais descrente: em 15, de 18 setores da economia, a percepção é mais negativa que a média global. O setor petroleiro também registrou a maior diferença entre a percepção brasileira (-47%) e a média dos países (-18%).

Segundo o instituto, há duas possibilidades para o resultado do levantamento – que ouviu 31 mil pessoas, sendo mil no Brasil. A primeira é que as empresas brasileiras tenham tido, em 2021, um desempenho inferior no cumprimento de suas responsabilidades. A segunda é que a exigência dos consumidores aumentou após 2020, quando as companhias foram excepcionalmente ativas.

"Em 2020, muitas empresas colaboraram na área da saúde e na redução da vulnerabilidade da população mais pobre. Isso não ocorreu na mesma proporção em 2021, mas as pessoas mantiveram a expectativa de que as empresas iam continuar fazendo. Já as empresas não esperavam que a pandemia fosse tão extensa", diz o presidente do Akatu, Helio Mattar.

<b>Movimentação</b>

O diretor de comunicação do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Paulo Henrique Soares, destaca que o setor tem buscado aprimorar suas práticas socioambientais. Em 2019, após a tragédia de Brumadinho, 200 especialistas de diversas mineradoras se juntaram para traçar metas para que as empresas da área aperfeiçoassem as políticas internas de ESG (aspectos ambientais, sociais e de governança, na sigla em inglês). "Temos muitos avanços. É óbvio que as duas fatalidades, com o rompimento de barragens (em Brumadinho e Mariana), nos impacta, mas estamos trabalhando para melhoria do cumprimento dessa responsabilidade", diz Soares.

Em outubro, o Ibram divulgou a agenda do setor com metas até 2030, como redução de 10% no uso de água e tolerância zero com acidentes com morte.
No setor petroleiro, o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, Eberaldo de Almeida Neto, lembra que o derramamento de petróleo na costa brasileira em 2019 prejudicou a imagem das companhias. As investigações, porém, apontaram que o óleo tinha origem venezuelana.

O executivo destaca que, no Brasil, a maior parte da exploração é de alta produtividade e, portanto, emite menos gases de efeito estufa. Ainda assim, o IBP está revendo as metas de redução dos gases do setor.

<b>Mercado</b>

O levantamento do Akatu e da Globeskan mostra que, para os brasileiros, ter mais informações sobre onde encontrar serviços e produtos saudáveis e sustentáveis de baixo custo seria a melhor forma de ampliar o consumo desses itens. Dos brasileiros, 59% apontaram essa necessidade. Na média global, 45%.

As informações são do jornal <b>O Estado de S. Paulo.</b>