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Churrasco para ver o Brasil ficou até 30% mais caro desde a Copa de 2022

Levantamento compara preços médios de itens tradicionais do churrasco entre a Copa do Catar e a Copa do Mundo de 2026 e mostra impacto da inflação no bolso do consumidor

Assistir aos jogos da Seleção Brasileira reunido com amigos e familiares continua sendo uma tradição durante a Copa do Mundo. Mas quem foi ao supermercado para preparar um churrasco neste Mundial provavelmente percebeu que a conta ficou mais pesada.

Levantamento baseado em médias de mercado, índices de inflação e pesquisas de preços mostra que o custo de um churrasco típico aumentou significativamente desde a Copa do Catar, disputada em 2022.

Embora a inflação oficial acumulada no período tenha avançado em torno de 18% a 20%, alguns produtos consumidos tradicionalmente durante os jogos tiveram aumentos bem acima desse índice, especialmente o café.

Quanto custava um churrasco em 2022 e quanto custa hoje?

Para efeito de comparação, foi considerada uma reunião para cerca de seis pessoas com itens tradicionais.

Produto Copa 2022 Copa 2026 Variação
Picanha (2 kg) R$ 139,80 R$ 179,80 +28,6%
Contra-filé (2 kg) R$ 89,80 R$ 119,80 +33,4%
Linguiça (2 kg) R$ 39,80 R$ 54,80 +37,7%
Refrigerante 2 litros (3 un.) R$ 23,70 R$ 32,70 +38,0%
Pão de alho (2 pacotes) R$ 19,80 R$ 26,00 +31,3%
Carvão (5 kg) R$ 22,90 R$ 29,90 +30,6%
Café 500 g R$ 15,90 R$ 27,90 +75,5%

Total estimado

Copa 2022: R$ 351,70

Copa 2026: R$ 470,90

Diferença: R$ 119,20

Alta total: 33,9%

Valores médios estimados com base em pesquisas de varejo e atacado utilizadas como referência de mercado.

Café foi o campeão de aumento

Entre os produtos analisados, nenhum teve comportamento semelhante ao café.

Levantamentos de mercado mostram que embalagens de 500 gramas chegaram a acumular aumentos superiores a 70% nos últimos anos, impulsionadas por problemas climáticos nas regiões produtoras, quebra de safra e aumento dos custos logísticos.

O produto acabou registrando uma alta muito superior à inflação oficial do período.

E o salário acompanhou?

A resposta é parcialmente positiva.

Em 2022, a renda domiciliar per capita média do brasileiro era de R$ 1.625. Em 2025, último dado consolidado disponível pelo IBGE, esse valor alcançou R$ 2.316.

Já o rendimento médio do trabalhador brasileiro chegou a R$ 3.722 no primeiro trimestre de 2026, recorde da série histórica da PNAD Contínua.

Na prática, a renda cresceu acima da inflação em boa parte do período, mas alguns produtos específicos consumidos em churrascos avançaram mais rapidamente do que os salários.

O que pesa mais no bolso

Especialistas apontam que carnes bovinas, bebidas e café sofreram influência de fatores além da inflação geral.

Entre eles estão:

  • Oscilações do preço do boi gordo;
  • Custos de transporte;
  • Eventos climáticos;
  • Valorização de commodities agrícolas;
  • Custos de energia e produção.

Por isso, mesmo com a melhora da renda média do brasileiro, muitos consumidores continuam percebendo que o churrasco ficou mais caro do que há quatro anos.

Poder de compra

Em 2022, o churrasco da comparação consumia cerca de 21,6% da renda domiciliar per capita média do brasileiro.

Em 2026, a mesma compra representa aproximadamente 20,3%.

Ou seja, apesar do aumento expressivo dos preços, a evolução da renda média compensou parte da alta. Ainda assim, produtos específicos, como café, refrigerantes e alguns cortes de carne, avançaram acima da inflação e continuam pressionando o orçamento das famílias.