As incertezas do cenário interno foram determinantes para a manutenção da postura defensiva dos investidores, que levaram o dólar a mais uma alta, assim como as taxas de juros negociadas no mercado futuro.
O mercado de juros teve dois momentos distintos: pela manhã, com o exterior menos tenso e as bolsas de valores em alta no mundo todo, as taxas operaram em baixa. No início da tarde, no entanto, a virada para cima do dólar passou a impor ajustes também nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI).
No cenário doméstico, causou particular impacto a notícia de que o ministro Gilmar Mendes, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), enviou ao Ministério Público de São Paulo relatório que detectou irregularidades em uma empresa contratada pela campanha de 2014 da presidente Dilma Rousseff. A empresa foi aberta em agosto de 2014 – a dois meses da eleição – e somente entre agosto e setembro emitiu notas fiscais no valor de R$ 3,683 milhões. Deste valor, R$ 1,651 milhão foi emitido em nome da campanha presidencial petista. A notícia foi interpretada como um sinal de que o cerco se aproxima da presidente Dilma, reforçando o discurso dos que querem seu afastamento do governo.
Diante das incertezas no cenário doméstico e a incessante alta do dólar, o mercado futuro de juros também não sustentou as baixas com que operou nas primeiras horas do dia. A leitura no mercado é de que não há muito espaço para redução dos prêmios, o que mantém as taxas resistentes a uma correção. Nos negócios na BM&FBovespa, o DI com vencimento em janeiro de 2016 fechou com taxa de 14,255%, contra 14,25% do ajuste de ontem. O vencimento de janeiro de 2017 terminou o dia em 14,11%, ante os 14,07% anteriores. A taxa do DI de janeiro de 2021 ficou em 13,95%, ante 13,90% do ajuste da Segunda-feira.


