O combate aos desmanches clandestinos tem contribuído para enfraquecer a cadeia de receptação de veículos roubados e furtados na capital paulista. Somente em 2026, a Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar) apreendeu 72,8 mil peças automotivas sem comprovação de origem durante fiscalizações e investigações.
As operações buscam atingir diretamente o mercado ilegal que dá destino aos veículos roubados ou furtados. Após os crimes, os automóveis e motocicletas podem ser desmontados rapidamente, com os componentes revendidos de forma clandestina.
Segundo a Polícia Civil, ao interromper esse comércio irregular, as ações policiais atingem uma das fontes de financiamento das organizações criminosas envolvidas nos roubos e furtos de veículos.
Do total de peças apreendidas neste ano, 53,9 mil eram de carros, enquanto outras 18,9 mil pertenciam a motos, caminhões ou ônibus. As operações fazem parte da estratégia da Polícia Civil para combater o comércio ilegal de componentes automotivos e ocorrem em meio à redução dos crimes contra o patrimônio.
Roubos de veículos caem 35,8%
Nos primeiros cinco meses de 2026, os roubos de veículos na capital paulista caíram 35,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. O número de ocorrências passou de aproximadamente 4,5 mil para 2,8 mil registros.
Os furtos de veículos também apresentaram redução. No mesmo período, foram registrados 15,2 mil casos, contra 16,8 mil ocorrências nos primeiros cinco meses de 2025, uma queda de 9%.
Responsável pelas investigações na capital, a Divecar atua na identificação de estabelecimentos que comercializam peças de origem ilícita, além de realizar apreensões e responsabilizar os envolvidos por crimes relacionados à receptação.
“Quando a Polícia Civil fecha um desmanche ilegal, apreende peças, identifica receptadores e responsabiliza todos os integrantes da cadeia criminosa, atingimos diretamente a principal fonte de financiamento dessas organizações”, explicou o delegado divisionário da Divecar, Paul Verduraz.
Compra de peças irregulares pode configurar crime
A Polícia Civil também alerta que consumidores que compram peças automotivas sem procedência comprovada podem contribuir para a manutenção do mercado ilegal. Dependendo das circunstâncias e caso seja comprovada a origem ilícita do produto, o comprador pode responder pelo crime de receptação, previsto no artigo 180 do Código Penal.
Para evitar problemas, a orientação é adquirir componentes somente em estabelecimentos regularizados, que forneçam nota fiscal e comprovem a procedência das peças.
Outra recomendação é desconfiar de produtos comercializados por valores muito abaixo dos praticados normalmente no mercado. Além de reduzir o risco de prejuízo ao consumidor, a compra responsável ajuda a dificultar a circulação de peças provenientes de veículos roubados ou furtados.


