Estadão

Confiança do consumidor tem o melhor dezembro desde 2013, apoiada em expectativas, diz FGV

Após três meses em queda, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) do FGV Ibre atingiu o maior patamar para um mês de dezembro desde 2013, quando marcou 100,6 pontos. No mês corrente, o indicador alcançou 94,7 pontos, avanço de 0,7 ponto ante novembro. Porém, a situação é bem diferente da verificada há dez anos, quando havia percepção positiva tanto em relação ao momento presente quanto às perspectivas futuras, destaca Geórgia Veloso, economista do FGV Ibre.

"A composição do resultado deste mês de dezembro é bastante diferente do registrado em 2013. Naquela época, havia avaliações positivas nos dois índices temporais, o Índice de Situação Atual (ISA) e o Índice de Expectativas (IE). Ambos estavam em zona de neutralidade, perto de 100, embora o ISE estivesse um pouco abaixo, 96,9 pontos", detalha a economista.

"Agora o cenário é outro: neste mês, o que sustentou a confiança do consumidor foi o Índice de Expectativas, que ficou em 103,3 pontos, com avanço de 2,5 pontos, enquanto o Índice de Situação Atual recuou 1,7 ponto, em 80,4 pontos, considerado uma zona de pessimismo", analisa Geórgia Veloso.

Além disso, prossegue a economista, este mês de dezembro trouxe a terceira queda consecutiva do ISA, que ficou mais intensa, com recuo de 1,7 ponto, para 80,4 pontos.

"É um ponto de preocupação", frisou a economista. "Um dos componentes do ISA é o Índice de Situação Financeira Atual da Família, que está em 69,9 pontos. O indicador sofreu queda de 0,7 ponto em outubro, teve estabilidade em novembro e caiu novamente em dezembro, com maior intensidade, de 4 pontos. Isso demonstra pessimismo sobre a situação financeira das famílias."

A retração no ISA foi parcialmente amortecida pelo indicador que mede a satisfação sobre a situação econômica, que subiu 0,6 ponto, para 91,2 pontos

Enquanto está pessimista sobre o momento atual, o consumidor mantém uma dose de otimismo quanto ao futuro. O índice que mede as perspectivas para as finanças familiares futuras foi o que teve a maior contribuição para o avanço do ICC em dezembro, avançando 6,9 pontos, para 100,6 pontos, após acumular queda de 13,9 pontos nos últimos três meses.

A melhora também foi observada no indicador que mede as perspectivas sobre a situação futura da economia, que subiu 2 pontos, para 112,9 pontos. O ímpeto de compras de bens duráveis, contudo, apresentou resultado negativo no mês ao recuar 1,6 ponto, para 96,1 pontos.

"Após dois meses em queda, a melhora na confiança dos consumidores foi exclusivamente influenciada por uma reavaliação das perspectivas para os próximos meses, apesar de uma insatisfação em relação ao momento atual", disse Geórgia Veloso.

O incremento no ICC ocorre após duas quedas consecutivas. O índice caiu de 97 em setembro para 93,2 em outubro e 93 em setembro.

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