O uso de dispositivos digitais para leitura tem ampliado significativamente o acesso a livros no Brasil, mas também reacende discussões sobre como crianças aprendem a ler e se relacionam com textos. Dados divulgados pela Amazon em janeiro de 2026 mostram que brasileiros leram mais de 1,7 bilhão de páginas por mês no Kindle ao longo de 2025, um indicativo do aumento do hábito de leitura em telas.
Com essa popularização das plataformas digitais, educadores e especialistas em desenvolvimento infantil voltam sua atenção para as diferenças entre a leitura em tela e a leitura em suporte físico, especialmente na infância, período crucial para a formação de leitores.
Segundo a psicopedagoga Esther Cristina Pereira, da Escola Atuação, a leitura em livros impressos tem um papel importante nos primeiros anos de vida. “O manuseio do livro impresso contribui para o desenvolvimento da coordenação motora, da percepção espacial e da concentração, além de favorecer a criação de vínculo afetivo com a leitura”, explica. Para ela, esse envolvimento sensorial com o livro físico pode ser um diferencial no engajamento das crianças com a prática leitora.
Especialistas destacam que a leitura envolve mais do que a simples decodificação de palavras: exige atenção sustentada, compreensão de sentido e associação de ideias. Nessa perspectiva, o uso de dispositivos eletrônicos por crianças deve ser feito com atenção, mesmo quando se trata de aparelhos projetados para leitura. “Mesmo aparelhos voltados exclusivamente para leitura continuam sendo telas, e a criança ainda está em fase de construção do autocontrole e da atenção sustentada”, alerta Esther.
O tema ganha ainda mais relevância com a aproximação do Dia Nacional do Livro Didático, celebrado em 27 de fevereiro, data que reforça a importância das escolas e das famílias na promoção da leitura desde a infância. Educadores apontam que, em um contexto de crescente uso de tecnologias digitais, é fundamental equilibrar a exposição às telas com atividades que fortaleçam habilidades leitoras, como o contato com livros físicos e a leitura compartilhada.
A discussão sobre leitura em telas e formação de leitores na infância integra um debate mais amplo sobre educação, bem-estar infantil e a integração entre inovação tecnológica e práticas pedagógicas tradicionais.


