As bolsas dos EUA fecharam em queda forte nesta terça-feira, 11, acompanhando as baixas dos mercados globais de ações e de commodities que se seguiram à desvalorização de 1,9% do yuan chinês pelo Banco do Povo da China (PBoC). A maior desvalorização do yuan em dois anos realimentou a preocupação quanto à perspectiva da economia global e levou os investidores a buscarem a segurança dos títulos do Tesouro. O mercado ignorou a notícia de que a Grécia e os credores internacionais chegaram a um acordo para o terceiro pacote de ajuda econômica ao país.
“Para os mercados, hoje, foi atirar primeiro e fazer perguntas depois”, disse o estrategista Cameron Watt, do instituto de investimentos da BlackRock. “A preocupação é o que isso pode significar para a competitividade do Ocidente em relação à do Oriente”, acrescentou.
“A desvalorização do yuan deve tornar o dólar ainda mais forte. E isso é um desafio para o Federal Reserve, porque agora há ainda menos motivos para elevar as taxas de juro em setembro”, comentou Zhiwei Ren, gestor de carteira da Penn mutual Asset Management.
Os pesquisadores da Cornerstone Macro, porém, destacaram que a desvalorização do yuan deverá estimular a economia chinesa. “O Fed provavelmente pensará que a decisão de hoje reduz os riscos diante da economia dos EUA, assim como qualquer outra depreciação no exterior. Isso deve contrabalançar a alta do dólar, pelo menos parcialmente”, diz a nota. “É mais uma camada de incerteza sobre quando o Fed vai agir”, disse o economista Alex Wolf, da Standard Life.
Os indicadores divulgados nos EUA saíram fracos. A produtividade da mão de obra cresceu à taxa anualizada de 1,3% no segundo trimestre, quando a expectativa era um avanço de 1,6%; a taxa anualizada de crescimento da produção foi de 2,8% e a do número de horas trabalhadas foi de 1,5%. O custo unitário da mão de obra cresceu à taxa anualizada de 0,5%, quando os economistas previam um ganho de 0,1%, com alta de 2,1% em relação ao mesmo período de 2014. A taxa anualizada de declínio da produtividade no primeiro trimestre foi revisada para 1,1%, de 3,1% no informe preliminar.
“O cenário mais amplo do crescimento da produtividade continua fraco. Ainda estamos por ver alguma melhora decisiva na tendência”, comentou a economista Laura Rosner, do BNP Paribas. Para o economista Stephen Stanley, da Amherst Pierpont Securities, os dados “significam que o crescimento potencial está muito abaixo do que a maioria dos economistas vinha assumindo. Eles ajudam a explicar por que o mercado de mão de obra melhorou tanto nos últimos cinco anos, apesar do que era considerado na época um crescimento morno do PIB”.
Outros indicadores divulgados nesta terça-feira foram os estoques e vendas no atacado em junho; os estoques cresceram 0,9% em relação a maio (a expectativa era +0,4%), com expansão de 5,4% em comparação com o mesmo mês do ano passado; as vendas cresceram 0,1% no mês, com queda de 3,8% no ano. A relação estoques/vendas ficou em 1,30, a mais alta desde maio de 2009.
Entre as componentes do índice Dow Jones, o destaque negativo foi Apple, com queda de 5,15%, devido à grande exposição da empresa na China. As ações do setor industrial também caíram, entre elas Caterpillar (-2,64%) e 3M (-1,82%); as do setor de energia, que acompanham nova queda dos preços do petróleo (ExxonMobil, -1,8%, Chevron, -1,4%). As ações da Google subiram 4,27%, em reação ao anúncio da reorganização corporativa da empresa, feito ontem após o fechamento.
Na Chicago Board Options Exchange (CBOE), o índice de volatilidade VIX subiu 12,10%.
Participantes do mercado observaram que no gráfico da evolução do índice Dow Jones, a média de fechamento das últimas 50 sessões (de 17.806,99 pontos no fechamento de hoje) ficou abaixo da média de fechamento das últimas 200 sessões (de 17.813,42 pontos), o que não acontecia desde 30 de dezembro de 2011; essa situação, conhecida como “death cross” (“cruz da morte”), é considerada pelos técnicos como sinal de que um recuo de curto prazo está se transformando em uma tendência de queda de prazo mais longo. O Dow acumula uma queda de 4,97% desde que alcançou o último nível recorde de fechamento, em 18.312,39 pontos, em 19 de maio.
No caso do Nasdaq, a média das últimas 50 sessões está em 5.078,91 pontos, bastante acima da média das últimas 200 sessões, de 4.895,64 pontos. No caso do S&P-500, a média das últimas 50 sessões está em 2.095,69 pontos e tem caído cerca de 1 ponto por dia; a média das últimas 200 sessões está em 2.074,80 pontos e tem subido quase 1 ponto por dia.
O Dow Jones fechou em queda de 212,33 pontos (1,21%), em 17.402,84 pontos. O Nasdaq fechou em queda de 65,01 pontos (1,27%), em 5.036,79 pontos. O S&P-500 fechou em queda de 20,11 pontos (0,96%), em 2.084,07 pontos. Fonte: Dow Jones Newswires


