No Dia Mundial do Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, especialistas reforçam que a forma de comunicação entre profissionais de saúde e pacientes tem impacto direto no enfrentamento da doença e cuidado oncológico, influenciando desde o controle da ansiedade até a participação ativa no tratamento.
Comunicação como parte essencial do tratamento
A comunicação acessível e humanizada tem sido apontada como um dos pilares fundamentais do cuidado oncológico. Mais do que transmitir informações técnicas, a maneira como o diagnóstico e as etapas do tratamento são apresentados influencia a experiência do paciente, o acesso ao conhecimento e a tomada de decisões ao longo da jornada contra o câncer.
Segundo a médica oncologista Maria Cristina Figueroa Magalhães, professora da disciplina de Oncologia da PUC-PR e da UFPR, a comunicação não deve ser tratada como um elemento secundário. “A palavra é, muitas vezes, o primeiro tratamento que o paciente recebe. Antes da quimioterapia, da cirurgia ou da radioterapia, ele recebe uma mensagem e essa narrativa pode acolher ou ferir”, afirma.
1. A linguagem ajuda a organizar o medo
De acordo com a especialista, uma narrativa clara e adequada contribui para o controle da ansiedade e de outros temores comuns após o diagnóstico. “O medo existe, mas quando o paciente entende o que está acontecendo, ele deixa de ser difuso e passa a ser manejável”, explica. A clareza na comunicação permite que o paciente compreenda o processo e se situe emocionalmente diante da doença.
2. Fortalecimento do vínculo entre paciente e equipe de saúde
Estudos indicam que pacientes que se sentem respeitados e compreendidos tendem a confiar mais na equipe de saúde, fator considerado essencial para a adesão ao tratamento. Expressões que demonstram parceria e continuidade, como “estamos juntos” ou “vamos caminhar passo a passo”, ajudam a fortalecer o vínculo terapêutico e a sensação de acolhimento durante o cuidado oncológico.
3. Protagonismo do paciente nas decisões
Uma comunicação clara e empática também devolve ao paciente o protagonismo sobre o próprio tratamento. Segundo a oncologista, esse tipo de abordagem permite que a pessoa participe ativamente das decisões, deixando de ser apenas receptora de condutas médicas. Além disso, a especialista alerta para o cuidado no uso de expressões como “não há mais nada a fazer”, que podem gerar sentimentos de desamparo, mesmo quando ainda existem possibilidades de cuidado e controle de sintomas.
O cuidado com as palavras e o impacto emocional
A Dra. Maria Cristina também chama atenção para o uso de metáforas de guerra, como “lutar” ou “perder a batalha”, comuns no contexto do câncer. Para ela, essas expressões podem impor uma carga emocional injusta ao paciente, sugerindo que o desfecho da doença depende exclusivamente de sua força pessoal. “A linguagem não muda o diagnóstico, mas pode transformar profundamente a experiência de quem vive com ele”, conclui.
Campanha global reforça cuidado centrado no paciente
Neste Dia Mundial do Câncer, a Novartis se une à Union for International Cancer Control (UICC) para amplificar o tema global #UnitedByUnique. A campanha, que ocorre entre 2025 e 2027, busca colocar os pacientes no centro do cuidado, valorizando suas histórias e reforçando a importância da empatia, da equidade e da escuta ativa no enfrentamento do câncer.


