Estadão

Dólar fecha a R$ 5,3257 (+0,08%) com giro baixo por conta de feriado nos EUA

O mercado doméstico de câmbio trabalhou em marcha lenta na sessão desta segunda-feira, 4, dada a falta da referência dos Treasuries e das Bolsas em Nova York, fechadas por conta do feriado de Independência nos Estados Unidos. Com oscilação entre margens estreitas, sobretudo pela manhã, o dólar correu entre mínima de R$ 5,2885 e máxima de R$ 5,3342. No fim do pregão, a moeda subia 0,08%, cotada a R$ 5,3257. Essa ligeira alta levou o dólar para o maior valor de fechamento desde 28 de janeiro (R$ 5,39). Nos dois primeiros pregões de julho, a divisa acumula valorização de 1,74%, após ter subido 10,15% em junho.

Segundo operadores, o dia foi de ajuste modesto de posições, com investidores apenas monitorando o comportamento da moeda americana no exterior e o andamento da PEC dos Combustíveis, rebatizada de PEC dos Benefícios, na Câmara dos Deputados. Principal termômetro do apetite para negócios, o contrato de dólar futuro mais líquido (para agosto), que costuma girar mais de US$ 10 bilhões ao dia, hoje movimentou menos de US$ 6 bilhões.

Relator da PEC dos Benefícios na Câmara, o deputado Danilo Forte (União Brasil-CE) disse ao Broadcast que vai negociar a inclusão no texto de um auxílio-gasolina a motoristas de aplicativo, como Uber. Há temores de que a conta extrateto, que saiu em R$ 41,2 bilhões do Senado, se aproxime de R$ 50 bilhões, hipótese levantada pelo próprio relator. Forte também encomendou estudos jurídicos para determinar se há mesmo necessidade de decretar estado de emergência – o dispositivo adotado para burlar o teto de gastos e blindar Bolsonaro de sanções pela Lei Eleitoral. Segundo apurou o Broadcast Político, Fortes deve se reunir nesta noite com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para discutir o relatório final da matéria

"Sem as bolsas americanas, o dólar oscilou mais com operações pontuais. Existe muito barulho com essa questão de aumento do risco fiscal e o estouro do teto fiscal, o que pressiona a moeda", afirma o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, que vê certo "exagero" na reação dos investidores à PEC dos Benefícios, ponderando que a arrecadação está forte e o crescimento, surpreendendo para cima.

No exterior, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes – andou de lado a maior parte do dia e, no fim da tarde, era negociado em leve alta, na casa dos 105,100 pontos, com estabilidade frente ao euro e ganhos na comparação com o iene.

O dólar teve desempenho misto frente a divisas emergentes e de países produtores de commodities, incluindo pares do real. Subiu em relação ao peso mexicano, mas caiu na comparação com o peso chileno e o rand sul-africano. O tombo do minério de ferro na China, às voltas com novos lockdowns em duas regiões para combater surto de Covid-19, não chegou a ter grandes impacto nos negócios.

A agenda pesada dos próximos dias pode provocar solavancos fortes na precificação do dólar no exterior e, por tabela, no mercado local, alertam operadores. Na quarta-feira (6), sai a ata do Federal Reserve, seguida, na quinta (7), pela ata do Banco Central Europeu (BCE). E, na sexta-feira (8), será divulgado o relatório de emprego (payroll) dos EUA em junho, que pode mexer com a expectativa em relação à magnitude e ao ritmo do ajuste monetário americano.

Para Galhardo, da Treviso, a dobradinha formada por risco de recessão global com inflação ainda elevada deve sustentar o apetite por dólares daqui para a frente, com taxa de câmbio podendo correr até R$ 5,50 em momentos de maior tensão. "Com muita incerteza, investidores estão fechando posições vendidas que ganham quando o dólar cai e fazendo hedge posição. Além dos problemas lá fora, a eleição presidencial deve começar a pegar fogo a partir de agosto", afirma.

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