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Dólar sobe com China, Bônus europeus e risco fiscal no radar

O dólar abriu em baixa no mercado local, em linha com a tendência no exterior em dia de feriado nos Estados Unidos, que reduz a liquidez global, enquanto as Bolsas na Europa, o euro, a libra e o petróleo se valorizam nesta manhã de segunda-feira, 4.

Logo após uma breve realização nos primeiros negócios, na esteira de alta de 1,65% na sexta-feira, a R$ 5,32, e dos ganhos de 10,15% em junho, a moda americana devolveu a queda intradia e passou a subir no mercado à vista. Os investidores ajustam posições de olho em lockdown na província chinesa de Anhui, na valorização dos bônus europeus, em meio à percepção de que os bancos centrais devem manter os planos de aperto monetário, embora indicadores recentes mais fracos na Europa e EUA possam servir de trava para elevações mais agressivas de juros, segundo economistas.

Outro foco de atenção local é a tramitação da PEC dos Benefícios na Câmara dos Deputados, após a aprovação pelo Senado na semana passada. "O mercado espera que a proposta tenha tramitação mais rápida que o comum, devendo ser aprovada antes do recesso", destaca a equipe da CM Capital. Há expectativas de eventual inclusão de novos benefícios e aumento do rombo fiscal, que até agora totaliza cerca de R$ R$ 41,2 bilhões fora do teto de gastos.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), assinou na última sexta-feira o despacho para juntar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que concede uma série de benefícios às vésperas da eleição com a PEC dos biocombustíveis, a fim de que a tramitação do pacote seja mais rápida. Lira vai se reunir hoje com líderes partidários para acertar os detalhes do texto.

Em entrevista ao <i>Estadão/Broadcast</i>, o deputado Danilo Forte (União Brasil-CE), escolhido relator da PEC, diz que vai negociar a inclusão de um auxílio-gasolina a motoristas de aplicativo, como o Uber. Além disso, Forte encomendou estudos jurídicos para determinar se há mesmo necessidade de decretar estado de emergência no País. O deputado lembrou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, havia dado um limite de R$ 50 bilhões para o pacote. Na visão dele, portanto, há margem para elevar o custo da PEC.

Por aqui, dados mostrando desaceleração da inflação foram monitorados mais cedo em meio a expectativas pelo IPCA de junho, que será divulgado na sexta-feira.

O IPC-Fipe de junho subiu 0,28%, desacelerando fortemente em relação ao ganho de 0,42% observado em maio, mas acima da taxa de 0,13% da terceira quadrissemana de junho, segundo dados publicados hoje pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O resultado de junho veio abaixo da mediana das estimativas de instituições de mercado consultadas pelo <i>Projeções Broadcast</i>, de 0,34%.

O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) desacelerou em quatro das sete capitais pesquisadas no fechamento de junho, na comparação com a terceira quadrissemana do mês, informou pela manhã a Fundação Getulio Vargas (FGV). Na mesma base, o índice cheio arrefeceu de 0,76% para 0,67%.

Na Europa, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da zona do euro saltou 36,3% em maio ante igual mês do ano passado, perdendo força ante o acréscimo anual de 37,2% observado em abril, segundo dados publicados pela Eurostat. É a primeira vez desde maio de 2020 que a taxa de inflação desacelera. O dado ficou abaixo das previsões (36,8%). Em relação a abril, o PPI avançou 0,7% em maio (projeção: 1,2%).

No radar dos investidores nos próximos dias ficam ainda a ata de política monetária do Federal Reserve (Fed, BC dos EUA), na quarta-feira, e do Banco Central Europeu, na quinta-feira, além do relatório de emprego dos EUA, o payroll de junho, na sexta-feira.

Às 9h36, o dólar à vista tinha alta de 0,14%, a R$ 5,3272. O dólar para agosto mostrava viés de baixa de 0,07%, a R$ 5,3680.

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