Estadão

Dólar sobe com petróleo no radar e cautela fiscal, política e inflação interna

O dólar abriu a sessão com viés de baixa, mas passou a subir em seguida. Os investidores estão atentos à cautela no exterior com novas perdas ao redor de 4% do petróleo há pouco, após tombo ao redor de 6% na sexta-feira, por receios com o impacto na demanda do repique da covid-19 pela variante delta no mundo. Também há preocupações locais nas áreas fiscal e política e com o aumento forte da inflação, que devem afetar a condução da política monetária do Banco Central. Neste caso, perspectivas de aumentos firmes da Selic até o fim do ano seriam favoráveis à queda do dólar também pela atratividade de capitais, embora tragam pressão de alta aos juros.

Na agenda, os destaques são o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho e a ata da reunião do Copom da semana assada, que saem amanhã e devem conduzir os ajustes das expectativas para a inflação e Selic na semana.

Na ultima quarta, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou o juro básico a 5,25% ao ano e indicou outro aumento de 1 ponto na reunião de setembro. Mas a inflação interna não dá trégua e alguns investidores já falam que Selic a 7,5% no fim do ano é piso das apostas.

O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de julho teve alta de 1,45%, ante 0,11% em julho. O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) também subiu a 0,97% na primeira quadrissemana de agosto, após 0,92% no fechamento de julho. O indicador acumula alta de 9,23% em 12 meses, maior do que o avanço de 8,76% no período até julho.

Na pauta política econômica, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), anunciou, na manhã desta segunda-feira que a votação do voto impresso deve ir ao plenário entre esta terça-feira ou quarta-feira. "Esperamos que essa questão seja liquidada no plenário ainda essa semana", afirmou o parlamentar em entrevista à <i>CBN</i>. Também o projeto de reforma do Imposto de Renda pode ser votado nesta terça ou até quarta-feira.

Os precatórios seguem no foco. A proposta do governo para parcelar o pagamento de precatórios (valores devidos pelo poder público após sentença definitiva na Justiça) pode ampliar ainda mais a folga para novos gastos em 2022. A medida deixaria a despesa com as dívidas judiciais R$ 7,8 bilhões menores do que o previsto para este ano – um espaço novo e que poderá ser direcionado a outras áreas. Neste ano, o governo estima que o gasto com precatórios ficará em R$ 55,4 bilhões. Em 2022, sem a PEC, a despesa subiria a R$ 89,1 bilhões.

Às 9h21, o dólar à vista subia 0,44%, a R$ 5,2594. O dólar futuro de setembro ganhava 0,52%, a R$ 5,2770.

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