Estadão

Dólar sobe com queda do petróleo, BCE dovish e dados dos EUA

O dólar opera com alta no mercado à vista de câmbio seguindo a tendência externa frente a outras divisas emergentes e ligadas a commodities em meio à queda persistente de mais de 1% do petróleo e após decisão de política monetária do Banco Central Europeu mais "dovish" do que o esperado. O mercado também precifica o fortalecimento dos retornos dos Treasuries, após a divulgação de dados do varejo americano abaixo do esperado e de pedidos de auxílio-desemprego dos EUA acima das previsões dos analistas financeiros.

O euro e a libra passaram a operar em baixa e a moeda americana ampliou ganhos de mais cedo frente divisas emergentes e ligadas a commodities, enquanto o índice DXY está volátil e rondando a estabilidade, ora com viés de alta ora de baixa reagindo ao BCE e aos dados americanos.

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu deixar inalteradas as principais taxas de juros e sinalizou que pretende concluir o programa de compra de ativos no terceiro trimestre.

Várias instituições financeiras no exterior esperavam uma antecipação maior da retirada de estímulos na Europa em cenário de inflação elevada, principalmente por causa dos preços altos de energia decorrentes da guerra da Rússia na Ucrânia, que também pesam na confiança de empresas e consumidores.

Segundo comunicado do BCE, a taxa de refinanciamento permanece em 0%, a de depósitos continua em -0,50% e a de empréstimo segue em 0,25%. O BCE reiterou que as compras de ativos por meio do APP irão diminuir de 40 bilhões de euros em abril para 30 bilhões de euros em maio e para 20 bilhões de euros em junho. Disse também que planeja concluir o APP no terceiro trimestre. Neste período, os volumes de compras dependerão de futuros dados econômicos da zona do euro.

Ainda no comunicado, o BCE reafirmou que eventuais altas nas taxas de juros só ocorrerão "algum tempo" depois do fim do APP e serão graduais.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, comentou em entrevista coletiva que a inflação na zona do euro aumentou significativamente e seguirá alta. Lagarde afirmou que não há escassez de liquidez no sistema bancário da zona do euro e que os padrões de crédito na região devem apertar mais nos próximos meses.

Entre os balanços de bancos nos EUA, divulgados mais cedo, o do Goldman Sachs superou as expectativas com lucro e receita no 1º trimestre do ano e a ação sobe no pré-mercado de Nova York. O Morgan Stanley reduziu o lucro e receita no 1º trimestre, mas os resultados superam as expectativas. O Wells Fargo tem queda em lucro e receita no 1º trimestre e a ação caiu 2,5% no pré-mercado de NY.

Os investidores monitoram ainda as notícias sobre a guerra na Ucrânia e a China. A Rússia alertou nesta quinta-feira, 14, a Otan que se a Suécia e a Finlândia aderirem à aliança militar, então a Rússia teria que reforçar suas defesas e que não se poderia mais falar em um Báltico "livre de armas nucleares".

Já as rígidas restrições de mobilidade por conta da covid-19 na China podem causar interrupções na produção de grãos plantados na primavera e aumentar as importações de arroz e milho, avalia a Fitch Ratings.

Às 9h45 desta quinta-feira, o dólar à vista subia 0,70%, a R$ 4,7214. O dólar para maio ganhava 0,54%, a R$ 4,7370.

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