Estadão

Dólar à vista fecha em baixa de 0,19% com exterior após dados dos EUA

O dólar à vista encerrou a sessão desta quinta-feira, 25, em baixa de 0,19%, cotado a R$ 4,9229, com mínima a R$ 4,9073 pela manhã. Foi o terceiro pregão seguido de queda da moeda americana, que agora passa a acumular leve baixa (0,08%) na semana. Com a agenda doméstica esvaziada e sem novidades relevantes nas tratativas da pauta econômica entre governo e Congresso, os negócios foram mais uma vez guiados pelo ambiente externo, marcado por alta das commodities e queda das taxas dos Treasuries.

A safra carregada de indicadores americanos hoje reforçou a leitura de que a economia dos EUA caminha para o almejado "pouso suave", com continuidade do processo de desinflação em meio a um nível de atividade ainda saudável. Tal ambiente ratifica as apostas de que o Federal Reserve (Fed, o BC americano) pode começar um ciclo de redução dos juros ainda no primeiro semestre, com mais de 80% de chances de corte em maio, segundo plataforma da CME Group. Já as apostas para março, que chegaram a superar 80% no fim do ano passado, agora estão na faixa de 40%.

O PIB americano cresceu a ritmo anualizado de 3,3% no quarto trimestre, acima do teto (2,8%) e da mediana (2%) de Projeções Broadcast, mas mostrou desaceleração significativa em relação quarto trimestre, quando houve expansão anualizada de 4,9%. Já o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), desacelerou de 2,6% no terceiro trimestre para 1,7% no quarto. O núcleo do PCE se manteve em 2% no período. Amanhã, sai o PCE referente a dezembro, que pode mexer com as expectativas em torno condução da política monetária pelo Fed.

"Os números de hoje foram bons, com PIB para cima e índice de preços para baixo. Temos um clima mais otimista do mercado, com bolsa e commodities para cima, o que ajuda o real", afirma o diretor de investimentos da Alphatree Capital, Rodrigo Jolig, para quem havia um otimismo exagerado do mercado no fim do ano passado com a possibilidade de corte de juros nos EUA em março.

No exterior, o índice DXY – que mede o comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes – operou em alta firme, acima da linha dos 103,600 pontos, com ganhos de mais de 0,5% da moeda americana em relação ao euro. Como esperado, o Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxas de juros inalteradas. Em entrevista coletiva, a presidente da instituição, Christine Lagarde, reafirmou comentário que os juros podem ser reduzidos no verão europeu (de junho a setembro).

A moeda americana caiu na comparação com a maioria das divisas emergentes e de países exportadores de commodities, em meio à valorização do minério de ferro e das cotações internacionais de petróleo, que atingiram os maiores níveis desde fins de novembro. Além da força da economia americana, contribuiu para avanço nos preços a cautela com a tenção geopolítica no Oriente Médio. O contrato do tipo Brent para abril avançou 2,93%, a US$ 81,96 o barril.

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