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Do aeroporto ao supermercado, como o tarifaço dos EUA pode impactar empresas e consumidores de Guarulhos

Uma decisão tomada em Washington pode parecer distante da rotina dos moradores de Guarulhos, mas seus efeitos podem chegar rapidamente às empresas da cidade e, consequentemente, ao bolso dos consumidores.

O possível aumento das tarifas de importação pelos Estados Unidos acende um alerta para municípios com forte participação no comércio exterior, como Guarulhos, que abriga o maior aeroporto de cargas e passageiros do Brasil e uma das maiores economias do Estado de São Paulo.

Segundo o empresário e especialista em gestão Ícaro Queiroz, fundador da Fit Gestão, mudanças no cenário internacional costumam provocar um efeito em cadeia. Empresas que dependem de insumos importados podem enfrentar aumento de custos, exportadores podem precisar buscar novos mercados e parte dessas despesas tende a ser repassada ao consumidor final.

“O empresário não controla tarifas internacionais, taxas de câmbio ou decisões diplomáticas. O que está sob seu controle é a preparação da empresa para enfrentar cenários de instabilidade. Organizações com gestão estruturada conseguem responder mais rapidamente às mudanças do mercado”, afirma Queiroz.

Com cerca de 1,4 milhão de habitantes, Guarulhos ocupa posição estratégica na economia nacional. Além de concentrar um dos maiores parques industriais do país, o município é a principal porta de entrada e saída de mercadorias transportadas por via aérea no Brasil. Essa característica faz com que oscilações no comércio internacional sejam percebidas rapidamente por importadores, exportadores, operadores logísticos e indústrias instaladas na cidade.

Para Queiroz, o impacto pode ultrapassar os portões das empresas e chegar ao cotidiano da população. “Quando uma indústria paga mais por matérias-primas, componentes importados ou custos logísticos, esse aumento percorre toda a cadeia produtiva. Dependendo do segmento, isso pode refletir no preço de medicamentos, eletroeletrônicos, produtos químicos, veículos e diversos itens presentes no dia a dia das famílias”, avalia.

De acordo com o especialista, momentos de instabilidade econômica reforçam a importância da gestão estratégica dentro das organizações. “O maior patrimônio de uma empresa não é apenas seu faturamento atual, mas sua capacidade de adaptação. Gestão financeira rigorosa, cultura organizacional resiliente e diversificação de mercado. Não podemos governar as decisões de Washington ou de Brasília, mas temos o dever e a responsabilidade de liderar com maestria dos nossos portões para dentro”, argumenta Icaro.

“Guarulhos cresceu conectada ao mercado global. Essa integração impulsiona a economia, mas também aumenta a exposição às mudanças internacionais. O desafio das empresas é transformar incertezas em planejamento, reduzindo impactos que, inevitavelmente, também chegam ao consumidor”, conclui.