Fundado em 2007, o Instituto Recicla Cidadão surgiu com o propósito de educar o guarulhense sobre a importância do reaproveitamento de materiais nocivos ao meio ambiente, por meio de medidas educativas em relação à coletiva seletiva. Esta iniciativa que já beneficiou cerca de cinco mil famílias, atualmente atende 150 em 22 bairros de Guarulhos.
“Percebi que o grande gargalo social era a coleta de lixo, os catadores e a própria reciclagem. Vendo esse quadro juntei outras pessoas para dar início a este projeto social que oferece introdução educacional na comunidade sobre a coleta seletiva e o ser humano – o catador – que ele estava ali para sobreviver e não fazer uma limpeza pública”, revelou o diretor fundador, William Paneque.
Cada uma dessas famílias possuem em suas residências uma placa de identificação pela adesão ao projeto. Além de identificar, a coleta, feita em um determinado dia da semana, também é realizada de forma diferenciada para chamar a atenção, através de um jingle que retrata os propósitos do projeto.
“Essa iniciativa é muito boa e desafoga os aterros sanitários, além de não poluir o lençol freático, ainda mais agora nessa economia de água. Portanto, o lixo precisa ser reciclado e até deveria se expandir para o País inteiro como no primeiro mundo. Não me gera trabalho, isso é hábito”, disse o vendedor Júlio Gaspar, 50 anos, morador da Vila Galvão.
Entidade já foi bem maior

Até meados de 2012, a entidade registrava o reaproveitamento de diversos materiais, sem nenhuma restrição, desde o plástico e o papel até o lixo eletrônico, a quantia de 145 toneladas por mês. Hoje a realidade é retratada pelos discrepantes 14 mil quilos mensais, sendo estes materiais doados para a Cooperativa de Reciclagem da cidade. Isso ocorre, segundo a direção, pela falta de apoio de iniciativas públicas para o progresso e manutenção do projeto.
“A atitude de separar os materiais iria diminuir a quantidade de lixo na porta das casas e facilitar o trabalho da coleta realizada pelo município. Para o meio ambiente um quilo de cobre ou de plástico é a mesma coisa. Você precisa tirar estes resíduos dele e essa é a função da política pública. Com essa ação começou a irradiar o processo que conta com agentes ambientais para explicar o projeto”, explicou Paneque.
De acordo com ele, os ensinamentos proporcionados pelo Instituto conseguiram formar o ciclo da cadeia produtiva da reciclagem na cidade, porém, ele defendeu a participação efetiva da Prefeitura nas atividades realizadas por eles para que este possa ser expandido para os mais de 1,3 milhão de habitantes.
“Tem que criar um modelo de gestão com equipamento público para ser tocado em toda cidade. Conseguimos sustentar o projeto até 2012 e como não tivemos êxito na política (Paneque foi candidato a vereador) e muito menos o olhar da Administração Municipal, tivemos que encerrar o processo de coleta casa a casa, e mesmo assim muitos moradores começaram a trazer até nossa sede”, revelou.
Inovação na capacitação de pessoas
William classifica o projeto como inovador e educativo realizado nos últimos sete anos. Segundo o gestor, a entidade conseguiu capacitar mais de 600 pessoas, mas ressalta a necessidade de potencializar os ideais para que tenha prosperidade. Ele também reitera que o serviço materializou a prestação de serviço de coleta seletiva em Guarulhos.
“É extremamente importante, até porque vai reutilizar aquilo que antigamente não teria serventia. Tira estes das ruas. É tudo de bom. Sem dúvida alguma deveria receber algum incentivo do governo. Temos que parar de jogar plástico nas ruas pelo enorme tempo que leva para se decompor. Isso não faz bem para natureza”, declarou a secretária Mônica Silva, que reside na Vila Harmonia.



