A interligação entre a Represa Billings e o Sistema Alto Tietê é considerada uma das principais estratégias do Plano de Segurança Hídrica do Governo de São Paulo para ampliar a resiliência no abastecimento de SP.
A obra, iniciada em janeiro, tem previsão de entrega para 2027 e permitirá a captação de até 4 mil litros de água bruta por segundo no braço do Rio Pequeno, em São Bernardo do Campo. Essa água será bombeada até a represa Taiaçupeba, fortalecendo o Sistema Integrado Metropolitano, responsável pelo abastecimento de cerca de 22 milhões de pessoas.
O investimento previsto é de R$ 1,4 bilhão.
Billings passa a ter papel estratégico
Historicamente com captação reduzida para abastecimento, a Billings passa a ocupar posição central na estratégia hídrica estadual. Sozinha, ela possui capacidade de armazenamento estimada em 1,13 trilhão de litros de água volume superior à soma das cinco represas que compõem o Sistema Cantareira.
O Cantareira é formado pelas represas Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, que juntas têm capacidade de cerca de 982 bilhões de litros, segundo dados da Sabesp.
Com a interligação, o sistema metropolitano ganha mais flexibilidade operacional e maior capacidade de resposta em períodos de estiagem.
Mais chuvas e vantagem geográfica
Outro fator que torna a Billings estratégica é sua localização próxima à Serra do Mar, região que recebe índices de chuva superiores aos observados nas áreas que abastecem o Cantareira.
Além disso:
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A represa está em um único plano, com mais de 100 km de extensão;
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Está localizada próxima à capital paulista;
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Apresenta menor desnível topográfico em relação a outras fontes.
Essas características reduzem custos de bombeamento e obras, tornando o sistema mais eficiente energeticamente.
Cenário de escassez hídrica
A Região Metropolitana de São Paulo enfrenta uma das menores disponibilidades hídricas per capita do país. Segundo a Sabesp, a oferta local gira em torno de 143 m³ por habitante ao ano, índice comparável ao de regiões semiáridas e abaixo do recomendado internacionalmente.
Em 2025, a região enfrentou uma das piores estiagens da última década, com índices de chuva entre 40% e 70% abaixo da média histórica. Vazões reduzidas, ondas de calor mais frequentes e crescimento da demanda agravaram o cenário.
Nesse contexto, diversificar fontes de abastecimento e fortalecer a integração entre sistemas se torna essencial para mitigar riscos futuros.
Plano bilionário para universalização
A interligação Billings–Alto Tietê integra o Plano de Segurança Hídrica previsto no novo contrato da Sabesp, firmado após o processo de desestatização promovido pelo Governo do Estado.
O plano prevê investimentos de R$ 70 bilhões até 2029 para universalizar o acesso à água e esgoto em todo o estado de São Paulo. Somente em 2025, foram aplicados R$ 15,2 bilhões em obras de saneamento o maior valor da história da companhia, 120% superior ao registrado no ano anterior.
Com a nova interligação, o Estado busca ampliar a capacidade de enfrentamento às mudanças climáticas e garantir maior segurança no abastecimento para milhões de famílias paulistas.


