Uma família egípcia, composta por um casal e dois filhos pequenos, completa nesta terça-feira (28) o seu 21º dia vivendo na área restrita do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. O grupo, que chegou ao Brasil no dia 8 de abril para solicitar refúgio, ainda não recebeu autorização das autoridades brasileiras para ingressar no território nacional.
Mais de dez organizações que atuam na defesa de migrantes e refugiados divulgaram um manifesto cobrando providências para a situação da família egípcia. O grupo pede atendimento médico adequado e uma solução com base em critérios humanitários.
A situação é considerada crítica por envolver uma gestante de 34 semanas (8º mês) com quadro de diabetes gestacional e uma criança com intolerância à lactose e doença celíaca. Abdallah Montaser, o pai da família, alega que buscam refúgio no Brasil devido aos conflitos entre Estados Unidos e Irã.
Emergência Médica no Aeroporto
O caso ganhou contornos preocupantes nos últimos dias. A esposa de Abdallah precisou de atendimento médico urgente após relatar que não sentia os movimentos do bebê. Segundo a defesa da família, embora o auxílio tenha sido solicitado na última quinta-feira (23), a transferência para o hospital só ocorreu na sexta-feira (24).
Além da saúde da mãe, a defesa alerta que as restrições alimentares de um dos filhos não estão sendo devidamente atendidas pelas autoridades aeroportuárias, agravando o quadro de vulnerabilidade das crianças.
Defesa alega Violação de Direitos Humanos
O advogado Willian Fernandes, que representa a família, afirma que o caso configura uma grave violação humanitária. “Não se trata apenas de um debate burocrático sobre ingresso, mas de uma situação concreta que envolve vida, saúde e dignidade humana”, destacou.
A defesa já tomou as seguintes medidas:
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Acionou a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados;
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Solicitou urgência na análise do refúgio ao Governo Federal;
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Acionou o Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC).
Impasse Migratório
Mesmo possuindo vistos de turista válidos e histórico de trânsito internacional regular em outros países, a família permanece detida em um hotel dentro da área restrita do terminal. A Polícia Federal ainda não se manifestou oficialmente sobre os motivos da negativa de entrada ou sobre a demora na análise do pedido de asilo.
O manifesto
As entidades apontam que a permanência prolongada em área restrita, sem definição sobre o pedido de refúgio, pode representar violação de direitos fundamentais, como acesso à saúde, dignidade e proteção de crianças e gestantes. O documento também menciona a falta de resposta célere e de articulação entre os órgãos responsáveis pela análise do caso.
O manifesto cita ainda episódios anteriores envolvendo retenção de estrangeiros no mesmo aeroporto, destacando riscos associados à demora no atendimento e na tomada de decisões. Para as organizações, a situação atual exige resposta imediata para evitar agravamento do quadro.



