Estadão

Ex-secretário do Tesouro dos EUA alerta para risco de recessão no país

Os Estados Unidos precisam estar preparados para o risco de recessão com a inflação no país no maior nível desde dezembro de 1981, disse o ex-secretário do Tesouro e consultor econômico de governos democratas Larry Summers, em entrevista ao programa State of the Union, da <i>CNN</i>. "Acho que, quando a inflação está tão alta e o desemprego tão baixo quanto agora, quase sempre isso é seguido dentro de dois anos por recessão. Eu olho para o que está acontecendo nos mercados de ações e títulos, para onde está o sentimento do consumidor e acho que certamente há um risco de recessão no próximo ano e acho que, dado onde chegamos, é mais provável do que não que tenhamos uma recessão dentro dos próximos dois anos", afirmou.

O programa vai ao ar na noite de domingo, mas a <i>CNN</i> divulgou trechos da entrevista antecipadamente.

Summers fez o comentário ao ser questionado se concorda com a declaração da atual secretária do Tesouro norte-americano, Janet Yellen, de que "não há nada que sugira uma recessão econômica no curto prazo" nos EUA e dizer que não está de acordo.

Ele afirmou que os EUA precisam "estar preparados para responder rapidamente se e quando isso (a recessão) acontecer". "Acho que os otimistas estavam errados há um ano ao dizer que não tínhamos inflação e acho que eles estão errados agora se alguém está altamente confiante de que vamos evitar a recessão."

Questionado se a inflação atingiu o pico ou os preços podem subir ainda mais, Summers disse que "dependerá do presidente (russo) Putin" e o que ocorrerá com as cotações do petróleo. "Há um risco de que (a inflação) vá aumentar ainda mais e não acho que seja provável que vá retroceder muito rapidamente. Acho que as previsões do Fed tenderam a ser excessivamente otimistas sobre isso e espero que eles reconheçam totalmente a gravidade do problema nas suas projeções quando se reunirem nesta semana", disse.

O ex-secretário do Tesouro defendeu a retirada de "muitas" tarifas de importação sobre produtos chineses. "Devemos focar no que é importante, não aumentar custos de matérias-primas para fabricantes norte-americanos, o que faz com que sejam menos competitivos, que é o que muitas dessas tarifas fazem."

Summers afirmou ainda que os EUA deveriam aprovar legislação que reverta cortes de tributos feitos por Trump, se juntar ao mundo em taxar corporações "adequadamente" e reduzir preços de medicamentos sob receita. "Tudo isso contribuiria para reduzir a inflação."

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