Saúde

Excesso de celular causa TDAH? Entenda o impacto das telas no cérebro das crianças

Especialista explica que o tempo exagerado diante dos dispositivos digitais não gera TDAH, mas sintomas como desatenção e hiperatividade.

Com a presença constante da tecnologia no cotidiano infantil, o aumento do tempo de exposição a celulares, tablets e computadores tem gerado dúvidas frequentes entre pais e educadores. A principal delas é se o uso excessivo de telas pode provocar o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Médicos do Hospital Pequeno Príncipe explicam que a tecnologia em excesso não causa o transtorno, mas pode simular sintomas muito semelhantes.

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O TDAH é uma condição neurobiológica e hereditária, com origem predominantemente genética, cujos sinais aparecem na primeira infância e persistem em diferentes ambientes (casa, escola e lazer). Já o uso exagerado das redes e jogos ativa intensamente os circuitos de dopamina, neurotransmissor ligado à recompensa imediata. Quando o dispositivo é retirado, a rotina convencional parece monótona, provocando dispersão, irritabilidade e falta de foco.

“O uso excessivo de dispositivos digitais pode levar ao surgimento de sintomas como falta de atenção, hiperatividade, inquietação, impulsividade, ansiedade, irritabilidade, insônia e sono fragmentado, características também comuns na trajetória de desenvolvimento dos indivíduos diagnosticados com TDAH”, esclarece o neurologista pediátrico Antonio Carlos de Farias.

Como diferenciar o TDAH do “efeito tela”

A principal diferença entre a condição genética e a distração digital está no histórico do paciente e na resposta às mudanças de hábito na rotina familiar:

  • TDAH (Transtorno genético): Os sintomas manifestam-se desde os primeiros anos de vida e em múltiplos contextos sociais. A redução das telas melhora o comportamento, mas não elimina o transtorno, exigindo tratamento especializado;

  • Sintomas por uso de telas: A desatenção e a Inquietação surgem associadas ao hábito digital. Uma readequação na rotina ou um período de “desintoxicação digital” (de duas a quatro semanas) costuma trazer melhorias significativas no sono, no foco e no humor em poucos dias.

Limites recomendados pela Sociedade Brasileira de Pediatria

Para evitar prejuízos cognitivos, na memória e na qualidade do sono, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta limites diários rígidos conforme a faixa etária:

  • Até 2 anos: Nenhum tempo de tela;

  • De 2 a 5 anos: Até 1 hora por dia (com supervisão de um adulto);

  • De 6 a 10 anos: Entre 1 e 2 horas diárias;

  • De 11 a 18 anos: Entre 2 e 3 horas por dia (evitando o uso de 60 a 90 minutos antes de dormir).

Especialistas orientam ainda a criação de momentos livres de tecnologia na rotina doméstica, como durante as refeições, além do incentivo à prática de esportes, leitura ao ar livre e brincadeiras presenciais. Caso a dificuldade de atenção seja persistente e prejudique o rendimento escolar e a convivência social, a orientação é buscar avaliação médica especializada.