Economia

Forma no processo de transição do IBGE foi muito pouco protocolar, diz Wasmália

A presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Wasmália Bivar, afirmou nesta quarta-feira, 1º de junho, que não esperava mais ser destituída do cargo, uma vez que o então ministro do Planejamento Romero Jucá já havia confirmado sua permanência à frente do órgão durante o novo governo. “Quando fui desligada (da Presidência), não estava esperando mais. Eu já havia sido confirmada no cargo”, disse, em entrevista coletiva na sede do órgão, no Rio.

Wasmália ainda comentou que o procedimento de comunicação da mudança foi “pouco protocolar”. “Fiquei sabendo pela imprensa. Depois, Paulo Rabello de Castro (futuro presidente do IBGE) me ligou, e só mais tarde o ministro interino Dyogo Oliveira (Planejamento)”, contou.

A atual presidente do IBGE lembrou ainda que o trabalho do órgão exige cuidado técnico e preservação. Para isso, ela já agendou uma reunião com Rabello de Castro e os diretores do instituto para o dia 10 de junho, para tratar da transição. Castro está em viagem internacional e retorna ao Brasil só no dia 7 deste mês.

Acesso a Temer

O acesso do economista Paulo Rabello de Castro ao presidente interino, Michel Temer, pode trazer uma vantagem para a instituição, avaliou Wasmália Bivar. Castro poderia colocar diretamente a Temer as necessidades do IBGE, que passa por dificuldades financeiras que já levaram a adiamento de pesquisas. No entanto, ela pondera que os princípios da imparcialidade do trabalho do instituto devem ser respeitados.

“Nos já entendemos que o novo presidente do IBGE tem acesso direto ao presidente da República. Isso pode trazer vantagens. Ele pode levar as necessidades, pode trazer uma tremenda vantagem institucional, porque pode trazer recursos que a casa tanto necessita”, declarou Wasmália a jornalistas.

A presidente do órgão disse não acreditar que a indicação de alguém tão próximo a Temer e sem relação com o instituto – Wasmália é funcionária de carreira do IBGE – configure uma interferência política no órgão. “O fato de eu estar me dispondo a me reunir com o (futuro) presidente do IBGE é porque não estou encarando como uma indicação política”, disse ela.

Mas Wasmália reconheceu que um funcionário de carreira teria mais conhecimento para ir a fundo nas necessidades e projetos do órgão, enquanto que uma pessoa de fora levaria um tempo até se situar de todos os processos. “Podem existir vantagens e desvantagens em ambos os casos. Um funcionário da casa conhece os projetos institucionais, sabe como a casa funciona”, afirmou.

Descontinuidade técnica

Wasmália disse também que não acredita que haverá “descontinuidade técnica” nos trabalhos do órgão com a mudança de comando. “Descontinuidade de natureza técnica em uma instituição como o IBGE não deve acontecer”, comentou. “A agenda de trabalho está incorporada no plano técnico. Certamente serão feitas as melhores escolhas para dar continuidade aos trabalhos”, acrescentou.

Com a mudança de comando, o IBGE deve realizar uma consulta junto à Organização das Nações Unidas (ONU) para verificar como fica a Presidência da Comissão de Estatísticas da ONU. O Brasil, representado pelo presidente do IBGE, assumiu o posto em março deste ano, com mandato até 2018. “Espero que o novo presidente do IBGE se mantenha como presidente da Comissão de Estatísticas”, disse Wasmália.

A atual presidente do IBGE destacou ainda que o período de quase cinco anos à frente do órgão (ela assumiu em agosto de 2011) foi “extremamente enriquecedor”. Disse também não “ter vocação” para se aposentar e que seguirá trabalhando no órgão.

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