Variedades

Frida Kahlo: exposições trazem imagens da coleção íntima da pintora

“Mais do que a persona artística de Frida, descobrimos a sua persona íntima”, afirma Hilda Trujillo, diretora da Casa Azul – Museu Frida Kahlo. Na verdade, ela se refere ao acesso, em 2007, à coleção de memórias da artista, guardada por décadas em um pequeno banheiro da famosa residência, localizada no bairro de Coyoacán, na Cidade do México. Depois da morte da pintora mexicana, em 1954, seu marido, o pintor Diego Rivera (1886-1957), fez um acordo com o governo de seu país para que documentos e 6,5 mil fotografias pertencentes ao casal ficassem guardados dos olhos do público por 50 anos.

Um conjunto expressivo de mais de 200 imagens originais desse arquivo íntimo foi selecionado pelo curador Pablo Ortiz Monastério para a composição de uma exposição itinerante, Frida Kahlo – Suas Fotos, que já fez grande sucesso por Lisboa, em Portugal, Tijuana, no México, Kazimierowka, na Polônia, e Curitiba. A mostra chega agora a São Paulo, com apresentação em dois locais – parte é inaugurada no Museu da Imagem e do Som (MIS) e outra, com o subtítulo Olhares Sobre o México, no Espaço Cultural Porto Seguro.

“Frida é um personagem complexo, com muita participação social”, diz Hilda Trujillo, que dirige a Casa Azul, transformada em museu em 1958. “Frida tinha uma sensibilidade impressionante para a fotografia e o colecionismo”, conta a diretora, revelando que era a pintora quem escolhia as imagens que Rivera comprava para, muitas vezes, usar como inspiração para seus murais. Mas a relação de Frida Kahlo com o gênero fotográfico vem de longa data, nasce na infância da artista. O pai da mexicana, Guillermo Kahlo – nascido na Alemanha -, era fotógrafo profissional e, desde cedo, a artista posava para ele.

Há muito tempo, pesquisadores identificaram o gosto de Frida pela pintura de autorretratos com o fato de ter aprendido a posar para a câmera de seu pai.

“Guillermo Kahlo aprendeu fotografia no México, tornou-se fotógrafo de arquitetura e foi contratado pelo ditador Porfirio Díaz, mas, quando perdeu seu emprego por causa da Revolução Mexicana, começou a se dedicar a fazer retratos”, explica Hilda. “Entretanto, ele dizia que não gostava de fotografar pessoas, mas tinha de fazê-lo para sobreviver. E Frida o acompanhava nas sessões porque, além do mais, Guillermo era epiléptico e sofria convulsões.”

Os retratos da artista feitos em 1926 e 1932 por seu pai apresentam, por exemplo, a pintora forte e segura em pose frontal, mas a exposição perpassa os mais variados momentos da vida de Frida desde criança, como na imagem que a registra aos 5 anos, em 1912. Figura atraente, por seu comportamento e sua forma extravagante de se vestir, a pintora atraiu, ainda, o olhar de vários outros fotógrafos, entre eles, Gisèle Freund e Nickolas Muray, um de seus amantes.

As obras da mostra revelam, portanto, não apenas a vida íntima de Frida com amigos, artistas, personalidades e familiares, como também a “história do México”, destaca Hilda Trujillo. A dolorosa relação da artista com seu corpo em uma trajetória marcada por tragédias também se faz presente nas imagens. Em uma foto, de 1940, a mexicana está retratada pintando em sua cama, depois de uma de suas dezenas de cirurgias.

FRIDA KAHLO – SUAS FOTOS
MIS. Av. Europa, 158, tel. 2117-4777. 3ª a sáb., 12h/20h; dom., 11h/19h. R$ 6
(3ª, grátis). Até 20/11

FRIDA KAHLO – OLHARES SOBRE O MÉXICO
Espaço Cultural Porto Seguro. Alameda Barão de Piracicaba, 610, tel. 3226-7361. 3ª a sáb., 10h/19h; dom., 10h/17h.
R$ 6 (3ª, grátis). Até 20/11

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Posso ajudar?