Cidades

Governo adia regra sobre trabalho no comércio em feriados por 90 dias

Governo adia por 90 dias regra sobre trabalho (Foto-Marcelo Camargo Agencia Brasil)
Governo adia por 90 dias regra sobre trabalho (Foto-Marcelo Camargo Agencia Brasil)
Governo prorroga por 90 dias a entrada em vigor da Portaria 3.665/2023, que altera regras para trabalho no comércio em feriados

O Ministério do Trabalho e Emprego prorrogou por 90 dias a entrada em vigor da Portaria 3.665/2023, que altera as regras para o funcionamento do comércio em feriados. A decisão ocorre em meio a impasse entre representantes de empregadores e trabalhadores e será oficializada no Diário Oficial da União.

Com a medida, o governo amplia o prazo para que sindicatos patronais e de empregados negociem as condições para abertura de supermercados, farmácias e lojas em datas comemorativas.

Comissão bipartite vai discutir proposta

Como parte do acordo, será criada uma comissão bipartite formada por dez representantes dos trabalhadores e dez dos empregadores. As entidades terão cinco dias para indicar seus membros ao ministério.

O grupo terá até 90 dias para apresentar uma proposta consensual. As reuniões ocorrerão duas vezes por mês, com datas divulgadas no Diário Oficial, e contarão com assessoria técnica do Ministério do Trabalho. Segundo o governo, a iniciativa busca fortalecer o diálogo social e garantir equilíbrio nas relações de trabalho.

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O que prevê a portaria

Publicada originalmente em novembro de 2023, a Portaria 3.665 restabelece a exigência de convenção coletiva para autorizar o trabalho em feriados no comércio, conforme previsto nas Leis 10.101/2000 e 11.603/2007.

Pelas regras, empresas do varejo e do atacado que desejarem abrir em feriados deverão:

  • Firmar acordo ou convenção coletiva com o sindicato da categoria;

  • Respeitar a legislação municipal;

  • Ajustar práticas internas que ainda estejam baseadas em acordos individuais.

A norma também revoga uma portaria editada em 2021, que permitia o funcionamento com base em acordos individuais com os trabalhadores — modelo considerado incompatível com a legislação vigente.

Divergências entre sindicatos e empresários

Os sindicatos de comerciários defendem que a exigência apenas reforça o que já está estabelecido em lei e evita abusos na jornada de trabalho.

Por outro lado, representantes do setor empresarial afirmam que a medida pode elevar custos, gerar insegurança jurídica e prejudicar principalmente pequenos comerciantes.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) alertou para o risco de fechamento de lojas em cidades onde não há sindicatos estruturados para negociar acordos coletivos.

O tema ganha ainda mais relevância neste ano, quando nove feriados nacionais cairão em dias úteis, ampliando o número de datas sujeitas à negociação.

O Ministério do Trabalho esclareceu que a portaria não altera as regras sobre trabalho aos domingos, que continuam regulamentadas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pela legislação em vigor.