Entregadores de todo o Brasil iniciaram hoje uma paralisação em quase 60 cidades, exigindo melhores condições de trabalho e aumento da remuneração nos serviços de delivery oferecidos por aplicativos como iFood, Uber Flash e 99 Entrega. O GWeb apurou que entregadores de Guarulhos também aderiram ao movimento, que segue até amanhã e conta com adesão massiva da categoria.
Os organizadores do movimento denunciam a precarização do trabalho e pedem um reajuste significativo na remuneração dos entregadores. Entre as principais reivindicações estão:
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Taxa mínima de R$ 10 por corrida
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Aumento do valor pago por quilômetro rodado, de R$ 1,50 para R$ 2,50
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Limitação da atuação de bicicletas a um raio máximo de 3 km
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Pagamento integral de pedidos agrupados em uma mesma rota
“Somos precarizados há muito tempo, e sabemos que é a remuneração que dita o quanto tempo precisamos trabalhar e ficar na rua se arriscando”, afirma Junior Freitas, uma das lideranças do ato em São Paulo.
Mobilização nacional
A paralisação conta com adesão em 59 cidades e atos presenciais em ao menos 19 capitais, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. Segundo os organizadores, a expectativa é que esta seja a maior greve da história da categoria.
Nas redes sociais, vídeos convocando entregadores a participar do movimento já somam milhões de visualizações. O ato também busca pressionar autoridades públicas a intervir na regulação das plataformas de entrega. “Se o poder público não estiver do lado do trabalhador, as coisas ficam muito mais difíceis”, reforça Freitas.
Fracasso na regulamentação
A manifestação ocorre após o governo federal falhar na tentativa de regulamentar o trabalho de entregadores e motoristas de aplicativo. Em maio de 2023, o Ministério do Trabalho e Emprego criou uma comissão especial para negociar um projeto de lei com representantes das plataformas e dos trabalhadores, mas, após seis meses de debates, as negociações foram encerradas sem consenso.
Nota da Amobitec enviada ao GWeb
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) respeita o direito de manifestação e informa que suas empresas associadas mantêm canais de diálogo contínuo com os entregadores.
Sobre a remuneração dos profissionais, de acordo com o último levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a renda média de um entregador do setor cresceu 5% acima da inflação entre 2023 e 2024, chegando a R$ 31,33 por hora trabalhada.
As empresas associadas da Amobitec apoiam a regulação do trabalho intermediado por plataformas digitais, visando a garantia de proteção social dos trabalhadores e segurança jurídica das atividades. Além disso, atuam dentro de modelos de negócio que buscam equilibrar as demandas dos entregadores, que geram renda com os aplicativos, e a situação econômica dos usuários, que buscam formas acessíveis para utilizar serviços de delivery.