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Guarulhos já atendeu cerca de 5,7 mil refugiados afegãos desde janeiro de 2022

Mais de 5,7 mil refugiados afegãos já foram atendidos pela Prefeitura de Guarulhos desde janeiro de 2022 por meio do Posto Avançado de Atendimento Humanizado ao Migrante, equipamento municipal instalado dentro do aeroporto internacional. Os dados agrupam informações até o dia 18 de dezembro de 2023 e mostram que, desde o início da crise, o mês com mais atendimentos foi agosto de 2023, com 504 afegãos cadastrados na unidade, seguido de novembro de 2022, quando foram relacionados 416, e, por último, junho de 2023, com 399.

Guarulhos vem recebendo migrantes e refugiados afegãos desde o início do último ano, já que eles ingressam no Brasil com visto humanitário concedido pelo governo federal após deixarem sua terra natal por conta da ascensão ao poder do Talibã, grupo fundamentalista islâmico. O aeroporto da cidade é o único no país que recebe voos do Afeganistão e dos países vizinhos, usados como rota de fuga dessa população. Na maioria das vezes esses migrantes chegam ao país com poucos recursos para fixar moradia e, sem ter para onde ir, os corredores do terminal 2 do aeroporto se tornam seus lares por alguns dias, até que os governos municipal e estadual encontrem vagas em abrigos.

Para conter a situação, a Prefeitura de Guarulhos vem buscando recursos para abrir vagas de acolhimento exclusivas para esse público na cidade. Em agosto de 2022 foi aberta a primeira residência para migrantes e refugiados na cidade, com 27 vagas. Neste momento o município conta com 257 vagas divididas entre cinco casas, quatro gerenciadas pela municipalidade, totalizando 207 vagas, que já receberam 942 afegãos, e uma pelo governo estadual, com 50 vagas.

Vivendo em abrigos da cidade, os afegãos contam com o auxílio das equipes na provisão de documentos como CPF e regularização da situação no país. Eles também recebem todo o suporte e atendimento médico, fornecidos pelas Unidades Básicas de Saúde das regiões, além de fazerem cursos de português e participar de ações de socialização com a comunidade brasileira.

“Desde o início dessa situação, antes mesmo de se tornar uma crise para os cofres guarulhenses, nós estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance para recebê-los da melhor forma, mas não conseguimos fazer isso sozinhos”, disse o secretário de Desenvolvimento e Assistência Social, Fábio Cavalcante, referindo-se às diversas solicitações de apoio enviadas ao governo federal, já que, para ele, se o documento que permite a entrada dos migrantes no país foi emitido pela federação, também deveriam partir dela as ações de acolhimento e interiorização dessa população.

“A situação causou um impacto não previsto no orçamento municipal. Mais de R$ 10 milhões já foram gastos, desequilibrando os recursos disponíveis para o atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade”, explica Cavalcante. O município precisa fornecer o básico para os migrantes, como alimentação, higiene pessoal, limpeza, cobertores e transporte.

Ações no aeroporto

Assim que os afegãos são referenciados no Posto Avançado de Atendimento Humanizado ao Migrante, é iniciada a busca por vagas junto ao governo estadual, responsável por gerenciá-las.

Enquanto estão no aeroporto, a Prefeitura de Guarulhos garante a segurança alimentar dos refugiados com café da manhã, almoço e jantar, além de entregar kits com materiais de higiene pessoal, água e cobertores. Há também voluntários que realizam a entrega de refeições aos finais de semana.

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