O ex-prefeito de Guarulhos e candidato a deputado federal Guti (PSD) quer transformar uma das principais marcas de suas duas gestões na cidade em uma bandeira nacional. Depois de manter o IPTU congelado durante os oito anos em que comandou o município, entre 2017 e 2024, ele defende a criação de uma frente nacional de candidatos comprometidos com a não criação ou aumento de impostos.
Em seu site, há um termo público para a coleta de assinaturas junto a todos que quiserem aderir a sua bandeira nestas eleições https://guti.com.br/aumento-imposto-nem-a-pau/ .
A proposta está sendo apresentada por Guti em sua campanha para a Câmara dos Deputados e prevê que outros candidatos, independentemente do partido, também possam aderir ao compromisso e apresentar a mesma defesa aos seus eleitores.
Em sua gestão, Guti manteve o IPTU sem reajuste durante os oito anos de mandato. A medida foi uma das principais bandeiras de sua administração e continuou sendo lembrada mesmo após o fim do governo. Em 2025, inclusive, Guarulhos manteve o benefício por mais um ano. A cidade foi a única do país a ter o IPTU congelado por oito anos consecutivos.
“Nem a pau”
Na proposta apresentada em seu site, sob o título “Aumento de imposto? Nem a pau!”, Guti procura transformar a experiência de Guarulhos em um compromisso político mais amplo.
A ideia é criar uma espécie de frente formada por candidatos que assumam publicamente a defesa de uma política de contenção da carga tributária. A adesão poderia ser feita por outros postulantes nas eleições de 2026, que passariam a levar a proposta aos seus eleitores durante a campanha.
O movimento parte de uma experiência que Guti considera positiva em Guarulhos. Durante seus dois mandatos, o IPTU permaneceu congelado, mesmo diante da inflação acumulada no período. Em dezembro de 2024, por exemplo, a Prefeitura estimava que, sem a manutenção do benefício, o reajuste poderia chegar próximo de 44%, considerando a inflação acumulada dos oito anos anteriores.
Experiência de Guarulhos
Guti também utiliza os resultados fiscais da administração como argumento para defender que a redução da pressão tributária não necessariamente significa abrir mão da responsabilidade com as contas públicas.
Dados divulgados ao final de sua gestão apontaram que a dívida municipal de Guarulhos caiu de R$ 7,4 bilhões para aproximadamente R$ 1,7 bilhão entre 2017 e 2024, uma redução de 77,03%. O resultado ocorreu durante o mesmo período em que o IPTU permaneceu congelado.
A iniciativa de Guti não pretende ficar restrita à sua candidatura. A proposta é que outros candidatos também possam assinar o documento, independentemente de serem de Guarulhos ou de outras cidades e Estados, e assumir perante seus próprios eleitores o compromisso de defender uma política de resistência a novos aumentos de impostos.
Na prática, a intenção é criar uma frente política nacional em torno da pauta, permitindo que cada candidato apresente o compromisso durante sua campanha e cobre, posteriormente, coerência dos eleitos.
A estratégia também coloca Guti diante de um discurso que ele já utilizou durante sua passagem pela Prefeitura: o de que é possível buscar eficiência na gestão e equilíbrio fiscal sem simplesmente transferir a conta para o contribuinte.
Para Guti, a experiência de Guarulhos pode servir como referência para candidatos que desejem assumir uma posição mais clara contra a elevação da carga tributária. A proposta apresentada pelo ex-prefeito é, assim, transformar uma política municipal que marcou seus oito anos de governo em uma bandeira eleitoral nacional, aberta à adesão de outros candidatos que queiram assinar o compromisso e defender a mesma posição junto aos seus eleitores.


