Estadão

Ibovespa abre semana em alta de 1,83%, aos 104,7 mil, com foco em Brasília

O Ibovespa iniciou em alta a penúltima semana do ano, mesmo com a cautela vista em Nova York, onde as perdas chegaram a 1,49% (Nasdaq) no fechamento da sessão, e com a surpresa proporcionada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal (STF), ao deliberar que o Bolsa Família pode ficar além do teto de gastos, sem a necessidade de que o Congresso aprove a chamada PEC da Transição. A decisão vem em paralelo ao julgamento do STF sobre o orçamento secreto, considerado inconstitucional.

Uma coisa como outra poderia tornar o xadrez em Brasília bem confuso, mas a reação inicial do mercado foi positiva, no sentido de que a força política do Centrão para fazer exigências ao próximo governo teria sido abalada pelos novos movimentos do STF. Assim, o quadro pode ser interpretado como favorável à governabilidade, e não ao impasse político, ainda que a um custo fiscal que os mercados têm se esforçado para precificar.

Hoje, contudo, prevaleceu o otimismo e o índice da B3 subiu 1,83%, aos 104.739,75 pontos, entre mínima de 102.769,76 e máxima de 105.107,19 pontos, saindo de abertura a 102.859,17 pontos. O giro financeiro foi de apenas R$ 24,5 bilhões, tendendo a se enfraquecer em direção ao fim do ano. Em 2022, o Ibovespa limita as perdas a apenas 0,08% com o desempenho desta segunda-feira, após ter tocado os 3% na mínima intradia da semana passada. Em dezembro, o Ibovespa ainda recua 6,89%, um pouco acima dos 6,43% registrados, até aqui, no índice amplo de Nova York, o S&P 500.

O futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve se reunir com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda hoje, às 18h, para discutir a PEC da Transição. Mais cedo, ao ser questionado sobre a decisão do ministro Gilmar Mendes, Haddad disse que manterá as negociações com a Câmara para que a proposta aprovada no Senado seja votada na casa ainda nesta semana. Ao comentar a decisão do plenário do STF sobre o orçamento secreto, Haddad observou que o resultado inaugura uma nova relação do governo com o Congresso.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tem dito a aliados defender um "meio-termo" para a PEC da Transição, que deve ser votada nesta terça-feira, 20, no plenário da Casa. Como o Broadcast Político já mostrou, ao menos o prazo de ampliação do teto de gastos em R$ 145 bilhões por dois anos deve cair para um ano. Mas há outras revisões em debate que devem desidratar ainda mais a versão final em relação ao texto avalizado pelo Senado.

"Com política fiscal mais expansionista se tem um pouco mais de respiro no crescimento econômico, e o mercado (no Boletim Focus, hoje) revisou pra cima o crescimento. Nosso cenário-base é de 1% (de alta no PIB) para o ano que vem. Mas o mercado também está revendo para cima o IPCA do ano que vem – com os juros, por enquanto, ainda estáveis a 11,75%, no Focus. Temos visto muitas revisões, em patamares acima de 12%, para a Selic no fim do próximo ano", diz Daniel Miraglia, economista-chefe do Integral Group.

Enxergando alguma melhora no cenário político em dia de volume de negócios reduzido, prevaleceu entre os investidores que estiveram ativos na sessão a busca por ações que acumularam descontos ao longo de dezembro, inclusive nas de primeira linha. O desempenho negativo do minério de ferro na China, contudo, segurou as ações de mineração (Vale ON -0,36%) e de siderurgia (Usiminas PNA -6,12%, CSN ON -2,01%, Gerdau PN -1,39%) nesta segunda-feira.

Petrobras ON e PN, que ainda cedem em torno de 16% no mês, fecharam o dia, respectivamente, em alta de 2,28% e 1,50%, enquanto os ganhos entre os grandes bancos chegaram a 3,00% (Itaú PN) na sessão. Na ponta do Ibovespa, destaque para as ações de varejo: Via (+16,23%), Qualicorp (+14,68%), Americanas (+12,65%) e Magazine Luiza (+10,13%), com o índice de consumo (ICON) em alta de 3,43% no fechamento do dia. No lado oposto, além de Usiminas (-6,12%), destaque também para SLC Agrícola (-3,18%), 3R Petroleum (-3,04%) e Klabin (-2,47%).

"Hoje, com descolamento do exterior, tivemos uma recuperação técnica, com o Ibovespa subindo mais de 2% na máxima do dia, tentando corrigir as quedas das últimas semanas. Foi um dia de respiro, de certa forma", diz Paulo Luives, especialista em renda variável da Valor Investimentos, destacando, em especial, o desempenho das ações de varejo na sessão, em dia de fechamento nos DIs, o que contribui para "dar um gás nesses papéis, mais sensíveis a juros".

"Apesar de algum otimismo no pregão de hoje, o mercado deve seguir atento à agenda de indicadores econômicos, como o IPCA-15, aqui no Brasil. Nos EUA, as divulgações do PIB e núcleo do índice de preços PCE devem direcionar o apetite por risco durante a semana", observa Leandro De Checchi, analista da Clear Corretora.

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