Estadão

Ibovespa ignora fraqueza de NY, sobe e renova máximas com expectativa de estímulos na China

Depois de cair 0,39%, o Ibovespa mudou de direção e renova máximas acima dos 113 mil pontos no período da manhã desta terça-feira, 31. A motivação vem principalmente de ações ligadas a commodities metálicas. Após a contração do PMI da China em outubro, espera-se que o governo chinês volte a estimular a economia.

"Está na expectativa por anúncio de corte de compulsório, o que geraria mais dinheiro na economia a um custo baixo", diz o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

Além disso, a melhora é puxada pelo quadro menos negativo das bolsas dos Estados Unidos, após o índice de confiança do consumidor do país recuar na pesquisa do Conference Board, mas com leitura para outubro acima do previsto por analistas.

O resultado pode levar à leitura de uma postura menos "dura" do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) quanto aos juros. Na quarta-feira, o BC de lá divulgará sua taxa, para a qual espera-se manutenção do nível atual, mas há dúvidas quanto aos próximos passos.

Apesar da alta do Ibovespa, ainda amarga queda de 3,00% no mês. "O risco fiscal segue no radar e deve continuar até que se tenha algo que sugira um quadro tranquilo", observa Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

Ontem, o Índice Bovespa fechou em baixa de 0,68%, a 112.531,52 pontos – o menor nível de encerramento desde 1º de junho -, diante de renovados temores em relação às contas públicas do País.

Hoje, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não respondeu novamente sobre eventual alteração na meta fiscal do ano que vem. Ontem, durante entrevista coletiva, ele tergiversou sobre o assunto, e nesta terça, após ser questionado de novo por jornalistas, também evitou responder.

A reunião que Haddad participará no Planalto terá a meta fiscal como tema. Estarão no encontro o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e líderes de partidos da base da Câmara, que foram convocados ainda na segunda-feira para o encontro.

"Não teve mudança estrutural em relação ao assunto sobre a meta, o que eleva o risco fiscal. Se houve mudança da meta, será mal visto", completa Mota, da Manchester.

Na China, o minério de ferro fechou em alta de cerca de 0,30%, em Dalian, enquanto o petróleo avança em torno de 0,80%, com os investidores de olho na guerra no Oriente Médio. As ações da Vale subiam 1,04%, às 11h32, influenciando os demais papéis do setor. Já Petrobrás cedia em torno de 1,00%. "Neste caso, seguem dúvidas a respeito da mudança do estatuto da empresa", diz Mota.

Os investidores locais se debruçam sobre uma série de resultados corporativos do terceiro trimestre.

No mesmo dia da decisão do Fed, amanhã, espera-se que Comitê de Política Monetária (Copom) corte a Selic de 12,75% para 12,25% ao ano, de forma a estimular a economia, dado que a inflação segue arrefecendo. Hoje, saiu a taxa de desemprego do País no trimestre finalizado em setembro, que cedeu a 7,7%, ficando igual à mediana.

Às 11h33, o Ibovespa subia 0,37%, aos 112.949,55 pontos, depois de avançar 0,95%, na máxima aos 113.597,32 pontos, ante mínima aos 112.098,12 pontos (-0,39%).

Posso ajudar?