O Carnaval brasileiro volta a colocar em evidência um desafio recorrente nas grandes cidadese levar um incentivo á reciclagem: a destinação correta dos resíduos gerados durante a festa. Em 2024, somente na cidade de São Paulo foram recolhidas 322,83 toneladas de lixo, sendo 63,43 toneladas de materiais recicláveis. Em Salvador, o volume chegou a 200 toneladas, enquanto no Rio de Janeiro ultrapassou 100 toneladas.
Diante desse cenário, especialistas defendem que o incentivo à reciclagem é fundamental para garantir uma gestão eficiente e sustentável dos resíduos.
Desafio estrutural da coleta seletiva
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 40% dos municípios brasileiros ainda não possuem coleta seletiva estruturada. Para Irineu Bueno Barbosa Junior, CEO da Cirklo, eventos de grande porte como o Carnaval sobrecarregam ainda mais os sistemas públicos.
Ele destaca que, durante as festividades, é comum que embalagens recicláveis, como as de PET, sejam descartadas junto a resíduos orgânicos, o que dificulta o trabalho de catadores, garis e recicladoras, além de ampliar os impactos ambientais.
Campanhas e pontos de entrega voluntária
Entre as estratégias apontadas como prioritárias está a promoção de campanhas de conscientização voltadas aos foliões, reforçando a importância do descarte correto das embalagens consumidas em blocos de rua e desfiles.
Outra medida considerada eficaz é a instalação de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) em locais de grande circulação. A proposta é facilitar o descarte adequado e envolver patrocinadores e empresas que atuam nas festas na criação de estruturas acessíveis de coleta.
Parcerias com cooperativas
A integração com cooperativas de catadores também é vista como fundamental para dar escala e eficiência à destinação dos resíduos. Um exemplo citado é o Bloco da Reciclagem, iniciativa da Associação Nacional dos Catadores em parceria com empresas e movimentos sociais.
Em 2025, cerca de 250 catadores atuaram na limpeza do Parque Ibirapuera, com os materiais encaminhados para triagem na Coopamare. A ação combinou inclusão social, geração de renda e responsabilidade ambiental.
Novo marco regulatório
O debate ganha ainda mais relevância com a entrada em vigor do Decreto nº 12.688/2025, que instituiu o Sistema de Logística Reversa de Embalagens de Plástico no país. A norma estabelece metas progressivas para o uso de resina reciclada nas embalagens, começando com 22% e chegando a 40% até 2040.
O PET, segundo estudo da Associação Brasileira da Indústria do PET, apresenta potencial de mudança climática 44% menor que o alumínio e 93% inferior ao vidro, reforçando seu papel na descarbonização da indústria.
Economia circular e impacto ambiental
Para especialistas, o Carnaval representa uma oportunidade estratégica para ampliar o debate sobre economia circular no Brasil. O reaproveitamento de embalagens evita que toneladas de resíduos sejam destinadas a aterros ou descartadas de forma irregular, reduz emissões e gera renda para milhares de famílias.
A avaliação é que, se o país conseguir estruturar uma gestão eficiente durante grandes eventos, o modelo poderá ser replicado ao longo do ano, consolidando avanços ambientais e sociais.


