Fragmentos incandescentes se desprenderam da aeronave e atingiram o gramado ao lado da pista, provocando um incêndio em área de vegetação dentro do sítio aeroportuário.
A tripulação declarou emergência imediatamente e conseguiu retornar ao aeroporto para um pouso seguro, após cerca de nove minutos de voo. Todos os 272 passageiros e 14 tripulantes desembarcaram sem ferimentos. As operações chegaram a ser temporariamente interrompidas, e o caso passou a ser investigado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA).

Incidentes operacionais se multiplicam em 2026
Além do episódio envolvendo a Delta, o ano de 2026 já registra outros incidentes relevantes em Guarulhos, todos classificados oficialmente como eventos sem vítimas, mas considerados de alto risco operacional.
Em fevereiro, imagens divulgadas nas redes sociais mostraram um pouso e uma decolagem ocorrendo praticamente ao mesmo tempo na mesma pista, envolvendo um Boeing 777 da Latam e um Boeing 747 cargueiro da Atlas Air. O CENIPA classificou o caso como incidente aeronáutico, destacando que Guarulhos não é homologado para operações simultâneas desse tipo, justamente por questões de separação mínima e segurança.
No mesmo mês, outro episódio chamou atenção: um Boeing 737‑800 da Gol e um Boeing 747‑8F da Atlas Air realizaram aproximações finais extremamente próximas, caracterizando perda de separação regulamentar. O evento foi classificado como incidente grave, e uma investigação foi aberta para apurar falhas de coordenação e controle de tráfego aéreo.
Especialistas ressaltam que, apesar da repercussão, incidentes não equivalem a acidentes e fazem parte da rotina de monitoramento de segurança em aeroportos de grande movimento.
O maior acidente da história de Guarulhos: a tragédia da Transbrasil em 1989

Se os eventos recentes terminaram sem vítimas, o mesmo não pode ser dito sobre o episódio mais trágico já associado ao Aeroporto de Guarulhos.
Em 21 de março de 1989, um Boeing 707‑349C cargueiro da Transbrasil, que operava o Voo 801, caiu durante a aproximação final para pouso, a cerca de 2,7 quilômetros da pista, atingindo uma área densamente povoada da cidade de Guarulhos. O acidente deixou 25 mortos, sendo três tripulantes e 22 pessoas em solo, além de mais de cem feridos. [
De acordo com o relatório final do CENIPA, a tragédia foi causada por uma combinação de erro humano, aproximação acelerada e configuração inadequada da aeronave, motivadas pela tentativa de pousar antes do fechamento programado da pista para manutenção. O avião transportava cerca de 15 mil litros de combustível e 26 toneladas de carga, o que contribuiu para a intensidade do incêndio após o impacto.
O acidente é considerado até hoje o mais grave da história do Aeroporto Internacional de Guarulhos e um dos mais marcantes da aviação civil brasileira.
Outros registros históricos relevantes
Além da tragédia da Transbrasil, Guarulhos também foi palco de outros eventos significativos ao longo das décadas. Em 1992, um Boeing 767‑300ER da American Airlines sofreu danos estruturais durante o pouso, após um toque duro em condições de vento cruzado. Apesar dos prejuízos materiais, não houve vítimas, e a aeronave foi posteriormente reparada.
Segurança sob vigilância constante
Autoridades aeronáuticas destacam que Guarulhos opera dentro de padrões internacionais de segurança e que o elevado número de registros está diretamente ligado ao volume intenso de operações, que ultrapassa centenas de milhares de pousos e decolagens por ano.
“A grande maioria dos eventos é classificada como incidente, não como acidente, e serve justamente para aprimorar procedimentos, treinamento e tecnologia”, apontam especialistas do setor.



