Política

Investigação do Banco Master no STF tem depoimentos marcados para esta semana

O inquérito que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master entrou em uma fase importante nesta segunda-feira (26), com o Supremo Tribunal Federal (STF) retomando depoimentos de executivos e sócios relacionados ao caso.

 As oitivas seguem até terça-feira (27) e são consideradas decisivas para o andamento da apuração.

O que está acontecendo no STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou e iniciou nesta segunda-feira uma rodada de depoimentos no inquérito que apura possíveis irregularidades no Banco Master, ligado a supostas fraudes financeiras e um esquema de emissão e direcionamento de recursos sem lastro econômico real.

As oitivas foram determinadas pelo relator do caso, ministro Dias Toffoli, e devem se estender até esta terça-feira. Ao todo, oito executivos e pessoas envolvidas no caso devem prestar esclarecimentos à Corte, tanto presencialmente quanto por videoconferência.

Quem deve depor

Entre os depoentes estão:

  • Diretor financeiro do BRB (Banco de Brasília) – videoconferência;

  • Diretor de empresa investigada – videoconferência;

  • Empresário investigado – videoconferência;

  • Superintendente executivo de tesouraria do Banco Master – videoconferência;

  • Superintendente de operações financeiras do BRB – presencial;

  • Diretor de riscos, compliance e tecnologia do Master – presencial;

  • Sócio do Banco Master – videoconferência;

  • Ex-sócio do Master – presencial.

Por que os depoimentos são importantes

Essas oitivas fazem parte da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF), sob supervisão do STF. A investigação busca apurar se a instituição utilizou vulnerabilidades do sistema financeiro para favorecer interesses de controladores e pessoas próximas aos principais envolvidos, conforme relatado à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Os depoimentos serão reunidos em um relatório que a PF tem prazo de até 60 dias para entregar, considerando que não haja pedidos de adiamento. Esse documento deve ajudar a identificar nomes indiciados e esclarecer detalhes das possíveis irregularidades.

Pontos de tensão institucional

A condução das oitivas pelo ministro Toffoli gerou repercussão entre integrantes do STF e na Polícia Federal, especialmente pela decisão de limitar o prazo solicitado originalmente pela corporação para as diligências. Além disso, a perícia do material apreendido na investigação está sendo supervisionada diretamente pela PGR, com peritos designados para acompanhar esse processo.

Outra frente de debate é a possibilidade de o ministro devolver a investigação para a primeira instância da Justiça, onde o caso tramitava inicialmente, já que o processo foi levado ao STF por envolvimento de pessoas com foro privilegiado.

Impactos mais amplos

O caso do Banco Master tem implicações que vão além do STF. A crise levou à liquidação da instituição pelo Banco Central em 2025, gerando pressão sobre credores e sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que deve ressarcir milhares de investidores — possivelmente incluindo cerca de 1,6 milhão de pessoas e movimentando valores estimados em bilhões de reais.

Além disso, o envolvimento de diferentes instituições financeiras e de fiscalização coloca o caso em uma posição de destaque na discussão sobre a regulação do sistema bancário brasileiro e a necessidade de mecanismos mais rigorosos de supervisão.