Estadão

Jerusalém é alvo de explosões com bomba e polícia suspeita de ataque terrorista

Uma pessoa morreu e ao menos 14 ficaram feridas em duas explosões em diferentes pontos de Jerusalém, reivindicada como capital por Israel e Palestina, na manhã desta quarta-feira, 23. Segundo as forças policiais, há a suspeita de que as explosões se trataram de "possíveis ataques terroristas com artefatos explosivos".

A primeira explosão ocorreu no início da manhã em um ponto de ônibus, onde os passageiros costumam se aglomerar à espera do transporte. Ao menos 12 pessoas ficaram feridas. Todas foram transferidos para hospitais próximos, três estão em estado crítico e uma pessoa foi declarada morta pouco depois, informou o serviço de emergência local.

Logo em seguida, houve outra explosão em um ponto de ônibus em Ramot, um assentamento no norte da cidade, onde três pessoas ficaram levemente feridas por estilhaços, de acordo com a equipe médica de emergência do United Hatzalah.

A polícia interditou várias vias de acesso a Jerusalém e realizou buscas por possíveis suspeitos nas zonas afetadas. Os policiais suspeitam de que ambas as explosões se trataram de um "ataque terrorista", que seria o primeiro do gênero em anos. Enquanto os palestinos realizaram esfaqueamentos, batidas de carros e tiroteios nos últimos anos, os ataques com bomba tornaram-se raros desde o fim de uma revolta palestina há quase duas décadas.

Durante a primeira inspeção nos locais das explosões, as forças de segurança identificaram que "diferentes cargas explosivas foram colocadas em ambas as cenas", indicando "um possível ataque combinado". Diante do ocorrido, o primeiro-ministro cessante, Yair Lapid, convocou uma reunião de segurança às 12h, horário local, para discutir a situação. Em resposta às explosões, Israel também sinalizou que estava fechando duas passagens na Cisjordânia para os palestinos perto da cidade de Jenin, um reduto militante.

Até a publicação desta matéria, nenhuma facção palestina havia assumido a responsabilidade pelas explosões, embora o grupo islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza e já realizou atentados suicidas contra israelenses, tenha comemorado o ataque. "A ocupação está colhendo o preço de seus crimes e agressão contra nosso povo", disse o porta-voz do Hamas, Abd al-Latif al-Qanua.

Os aparentes ataques ocorreram em meio à alta nas tensões entre israelenses e palestinos, após meses de incursões israelenses na Cisjordânia ocupada, motivadas por uma série de ataques contra israelenses que mataram 19 pessoas. Houve um aumento dos ataques palestinos nas últimas semanas.

A violência também ocorre no momento em que o ex-primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu está mantendo negociações de coalizão após as eleições nacionais e provavelmente formará o que se espera ser o governo mais à direita de todos os tempos em Israel.

Itamar Ben-Gvir, um legislador extremista que pediu a pena de morte para agressores palestinos e que deve se tornar o ministro encarregado da polícia de Netanyahu, disse que o ataque significa que Israel precisa adotar uma postura mais dura com os agressores palestinos. "Devemos cobrar um preço do terror", disse ele no local da primeira explosão. "Devemos voltar a estar no controle de Israel, para restaurar a dissuasão contra o terror , disse.

Mais de 130 palestinos foram mortos em confrontos entre israelenses e palestinos na Cisjordânia e no leste de Jerusalém este ano, tornando 2022 o ano mais mortal desde 2006. O exército israelense diz que a maioria dos palestinos mortos eram militantes. Mas também foram mortos jovens atiradores de pedras que protestavam contra as incursões militares e outros que não estavam envolvidos nos confrontos.

Pelo menos mais sete israelenses foram mortos em ataques palestinos nas últimas semanas. Israel capturou a Cisjordânia na guerra do Oriente Médio de 1967, junto com o leste de Jerusalém e a Cisjordânia. Os palestinos buscam os territórios para seu esperado estado independente. (Com agências internacionais).

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