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Júri de PMs acusados no caso Gritzbach é cancelado em Guarulhos após confusão e abandono da defesa

Julgamento dos policiais acusados pela execução de Vinícius Gritzbach no Aeroporto de Guarulhos foi interrompido no primeiro dia; Justiça deverá remarcar nova data

O julgamento dos três policiais militares acusados de participar do assassinato do empresário e delator do PCC Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, que começou nesta segunda-feira (22) no Fórum Criminal de Guarulhos, foi cancelado após uma série de tumultos envolvendo a defesa dos réus.

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil e pelo UOL, os advogados dos acusados abandonaram o plenário durante a sessão, levando o juiz responsável pelo caso a interromper os trabalhos e cancelar o júri popular. O julgamento deverá ser remarcado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Julgamento era um dos mais aguardados do ano

O caso é considerado um dos mais emblemáticos da história recente da segurança pública paulista.

Gritzbach foi executado a tiros em 8 de novembro de 2024, logo após desembarcar no Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos. A ação ocorreu em plena área de circulação de passageiros e foi registrada por câmeras de monitoramento.

Além da morte do empresário, os réus também respondem pela morte do motorista de aplicativo Celso Novais, atingido durante o ataque, e por duas tentativas de homicídio contra pessoas que ficaram feridas pelos disparos.

Quem são os acusados

Estavam sendo julgados:

  • Tenente Fernando Genauro da Silva;
  • Cabo Denis Antônio Martins;
  • Soldado Ruan Silva Rodrigues.

Os três estão presos preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Denis Martins e Ruan Rodrigues teriam sido os executores dos disparos que mataram Gritzbach. Já Fernando Genauro é acusado de ter dado apoio logístico à ação e auxiliado na fuga dos envolvidos.

Defesa contestava provas

Antes mesmo do início da sessão, os advogados dos policiais haviam informado que pretendiam questionar provas consideradas fundamentais pela acusação, especialmente os dados de geolocalização utilizados durante as investigações.

A estratégia das defesas era atuar de forma conjunta para contestar a participação dos três policiais no crime. Entretanto, divergências ocorridas durante a sessão resultaram no abandono do plenário pelos advogados e no consequente cancelamento do júri.

Caso expôs ligações entre policiais e o crime organizado

A morte de Gritzbach desencadeou uma das maiores investigações já realizadas sobre a infiltração do crime organizado em órgãos de segurança pública de São Paulo.

Antes de ser assassinado, o empresário havia firmado acordo de delação premiada com o Ministério Público e fornecido informações sobre integrantes do PCC, empresários, policiais civis e outros investigados por corrupção e lavagem de dinheiro.

As investigações apontaram que o crime teria sido motivado por vingança e por conflitos envolvendo lideranças da facção criminosa.

Mandantes continuam foragidos

Enquanto os três policiais respondem ao processo em Guarulhos, outros acusados apontados como mandantes do assassinato seguem foragidos.

Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, Emílio Carlos Gongorra Castilho, conhecido como “Cigarreiro”, e Diego dos Santos Amaral, o “Didi”, teriam ordenado a execução. Ambos respondem a processos separados e ainda não foram localizados pelas autoridades.

Nova data deverá ser definida

O Tribunal de Justiça de São Paulo ainda deverá definir uma nova data para a realização do júri popular.

Inicialmente, o julgamento estava previsto para ocorrer entre os dias 22 e 26 de junho, com oitiva de 21 testemunhas, interrogatório dos réus e decisão de sete jurados responsáveis por definir a condenação ou absolvição dos acusados.

O cancelamento no primeiro dia representa mais um capítulo de um caso que continua mobilizando autoridades, órgãos de investigação e a opinião pública desde a execução ocorrida no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

O Tribunal de Justiça se manifestou por meio de nota;

“Houve abandono do plenário parte da defesa dos réus após desentendimento com o promotor, e, por isso, dissolução do conselho de sentença. O júri será redesignado para data oportuna”.