Em uma sessão de forte influência do cenário internacional, com dólar em alta e bolsas em baixa, o mercado futuro de juros encontrou espaço para ajustar as taxas para baixo. A notícia de que o Banco do Povo da China (PBoC) promoveu uma desvalorização de 1,9% do yuan frente ao dólar americano impôs perdas em todo o mundo, em particular nos países exportadores de commodities, como o Brasil. Com a medida, o BC chinês buscou estimular a enfraquecida economia do país, por meio de uma maior competitividade em suas exportações.
A desvalorização do câmbio da segunda maior economia do mundo deflagrou uma série de ajustes nos mercados, com queda dos preços das commodities, das bolsas de valores e dos juros dos títulos do Tesouro norte-americano. No caso dos títulos americanos, a queda das taxas refletiu não apenas a busca dos investidores por ativos de menor risco, mas também a possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ter de adiar o início do ciclo de ajustes dos juros locais. No fim da tarde, o juro do T-Note de dois anos tinha taxa de 0,677%, enquanto a taxa do título de dez anos recuava para 2,138%.
As atenções no mercado futuro de juros se dividiram entre as influências externas e as análises mais técnicas. As taxas operaram em torno da estabilidade pela manhã, com viés de alta nos vencimentos mais longos. À tarde, no entanto, as taxas recuaram, influenciadas pela percepção de que as recentes altas do dólar não alteraram, pelo menos por enquanto, a estratégia do Banco Central. Essa visão veio depois que, segundo fonte, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu, em encontro com analistas no Rio, sinalizou que o cenário de convergência da inflação para 4,5% no fim de 2016 tem se fortalecido.
No fim da sessão regular, a taxa do DI com vencimento em janeiro de 2017 estava em 14,03%, contra 14,15% do ajuste de ontem. Já a taxa do DI de janeiro de 2019 estava em 13,72%, ante 13,82%, enquanto o DI de janeiro de 2021 terminou o dia com 13,60%, ante 13,66%.


