Os juros futuros encerraram a sexta-feira, 4, muito próximos dos ajustes anteriores, após oscilarem entre margens estreitas ao longo da sessão. Segundo operadores, a falta de tendência para as taxas e também o volume baixo de contratos negociados refletiram o receio dos investidores em montar posições antes do fim de semana, que poderá trazer novidades negativas no noticiário relacionado ao cenário político. De todo modo, o movimento do câmbio e as declarações do diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Tony Volpon, ontem, no final da tarde, estiveram no radar dos investidores.
Ao término da sessão regular, o DI abril de 2016 estava em 14,60%, de 14,59% no ajuste de ontem, e o DI janeiro de 2017 passava de 15,76% para 15,77%. Nos vencimentos longos, o DI janeiro de 2021 fechou em 15,72%, de 15,68% ontem no ajuste.
As taxas abriram com um viés de alta, em linha com a trajetória do dólar ante o real e repercutindo declarações de Volpon, ontem, em evento em São Paulo. “Venho aqui rechaçar veementemente qualquer hipótese de perda de eficácia da política monetária e de uma suposta falta de disposição do Banco Central em cumprir sua missão primordial de assegurar a estabilidade do poder de compra da nossa moeda”, afirmou o diretor, que foi um dos que defenderam alta de 0,50 ponto da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana passada. As palavras do diretor alimentaram ainda mais a percepção de que um aperto monetário está próximo.
Contudo, as taxas futuras já estavam perto dos ajustes no começo da tarde, quando também o dólar perdia a força. Pela manhã, a moeda norte-americana subiu com uma correção do que foi considerado exagero da queda de ontem e também em linha com o exterior, após o payroll de novembro (dado de emprego dos EUA) ter surpreendido positivamente. À tarde, a percepção de que o pedido de impeachment da presidente Dilma pode avançar voltou a prevalecer e a comandar o recuo da moeda, que, assim, se descolou do viés externo. Às 16h34, o dólar à vista estava em R$ 3,7332, baixa de 0,31%.


