Política

Lucas Sanches tira isenção de IPTU e prejudica aposentados de Guarulhos

Projeto de lei enviado à Câmara e já aprovado em primeira votação tira isenção integral de pelo menos quatro mil aposentados que ganham acima de 2 salários mínimos; regra anterior beneficiava aposentados com renda de até 5 salários

Os projetos de lei  do prefeito Lucas Sanches (PL), enviados à Câmara na última sexta-feira, já estão conhecidos como o segundo “pacote das maldades” desta gestão. Desta vez, a Prefeitura irá penalizar pelo menos quatro mil aposentados que deixarão de ter isenção do IPTU. Até agora, todos que ganhavam até cinco salários mínimos não precisavam pagar o imposto. No último dia de junho, um outro pacote aumentou em até 50% o ISS na cidade para uma grande parcela dos empreendedores do município, entre outros programas que vão onerar o contribuinte.

O projeto já passou por primeira discussão e votação na Câmara Municipal nesta segunda-feira e deverá ser aprovado em sessão extraordinária marcada para esta quarta-feira.

Agora, com a provável aprovação da maioria dos vereadores, Lucas limitará o benefício apenas a quem ganhar até dois salários mínimos, o que significa que quatro mil aposentados de Guarulhos que gozavam de 100% de desconto terão apenas 50% ou 30% de isenção dependendo da faixa de renda. O projeto de lei altera de forma significativa a política de isenção do IPTU para aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC/LOAS em Guarulhos.

Até agora, aposentados que se enquadravam nos critérios legais — renda de até 5 salários mínimos e imóvel dentro do valor permitido — podiam ter isenção de até 100% do IPTU, dependendo da regulamentação vigente e da análise individual.

Esse modelo garantia alívio total do imposto para uma parcela maior da população idosa, especialmente em um cenário de alta do custo de vida e medicamentos.

O que muda com o projeto de Lucas contra os aposentados

Pelo texto enviado pelo Executivo, a isenção passa a funcionar da seguinte forma:

  • Até 2 salários mínimos:
    Isenção de 100% do IPTU
    Cerca de 8 mil imóveis
    Renúncia estimada: R$ 8,6 milhões

 

  • Acima de 2 até 4 salários mínimos:
    Isenção cai para 50%
    Aproximadamente 2,5 mil imóveis
    Renúncia estimada: R$ 1,3 milhão

 

  • Acima de 4 até 5 salários mínimos:
    Isenção reduzida para apenas 30%
    Cerca de 1,5 mil imóveis
    Renúncia estimada: R$ 484 mil

No total, o benefício passa a alcançar 12 mil imóveis, com renúncia fiscal estimada em R$ 10,4 milhões por ano, o que representa 0,57% da arrecadação total do IPTU do município .

Quem perde com a mudança

A principal crítica ao projeto é que aposentados que hoje não pagam IPTU passarão a pagar parte do imposto, mesmo vivendo exclusivamente de aposentadoria ou pensão.

A redução mais sensível atinge quem ganha entre 3 e 5 salários mínimos, faixa que deixa de ter isenção integral e passa a arcar com 50% ou até 70% do valor do imposto, dependendo da renda.

Para muitos aposentados, isso representa um novo gasto fixo em um orçamento já comprometido, especialmente com saúde, medicamentos e alimentação.

Justificativa da Prefeitura

No anexo de impacto orçamentário, a Prefeitura argumenta que a mudança torna a política “socialmente justa e fiscalmente sustentável”, concentrando a isenção integral apenas nos contribuintes de menor renda.

O governo municipal afirma ainda que a renúncia será compensada com medidas como:

  • Atualização da Planta Genérica de Valores (PGV);
  • Intensificação da cobrança da dívida ativa;
  • Revisão de outras isenções consideradas sem impacto social relevante;
  • Aumento da fiscalização do ISS, inclusive sobre setores como instituições financeiras e apostas eletrônicas.

Segundo o documento, as medidas compensatórias poderiam gerar até R$ 60 milhões por ano, valor bem superior à renúncia do benefício do IPTU .