A maioria dos estudantes brasileiros afirma contar com ao menos um adulto de confiança no ambiente escolar, segundo o relatório nacional Semana da Escuta das Adolescências, divulgado em 2025 pelo Ministério da Educação (MEC). O dado reforça a importância de políticas institucionais voltadas à proteção de crianças e adolescentes e impulsiona a adoção de diretrizes formais de cuidado, como o Documento de Salvaguarda implementado pela Escola Lourenço Castanho.
Confiança e proteção no ambiente escolar
O levantamento do MEC evidencia que a escola segue sendo um espaço central de escuta, acolhimento e referência para estudantes. Diante desse cenário, cresce a necessidade de protocolos claros que organizem responsabilidades e orientem práticas de convivência e proteção. Na Escola Lourenço Castanho, o Documento de Salvaguarda surge como resposta institucional a essa demanda, estruturando diretrizes que já faziam parte do cotidiano, mas não estavam formalizadas.
Para o pedagogo Edson D’Addio, diretor pedagógico do Ensino Fundamental – Anos Finais da instituição, o documento consolida um compromisso pedagógico com a cultura da paz e o respeito, em consonância com o Estatuto da Criança e do Adolescente. Segundo ele, ao definir parâmetros objetivos de convivência e responsabilidade, o texto transforma princípios em ações institucionais e fortalece um ambiente ético e seguro, além de dialogar com recomendações de organismos internacionais, como a Unicef.
Diretrizes claras e corresponsabilização
A política de salvaguarda também impacta a relação entre escola e famílias ao tornar públicos os compromissos assumidos pela instituição. De acordo com D’Addio, a transparência amplia a confiança da comunidade escolar e reforça a corresponsabilização, já que todos os profissionais, independentemente da função, passam a responder pelo cuidado coletivo dos estudantes.
Relações humanas e prevenção de violências
O psicólogo e educador Antônio Oliveira, coordenador pedagógico do Ensino Fundamental – Anos Finais da Escola Lourenço Castanho, destaca que o documento parte do reconhecimento da complexidade das relações humanas no ambiente escolar. Para ele, a política explicita um compromisso ético ao criar condições para que situações de violência não sejam naturalizadas ou silenciadas, organizando o cotidiano a partir de limites, zonas de atenção e responsabilidades claras.
Segundo Oliveira, o equilíbrio entre cuidado e autonomia é um dos eixos centrais da proposta. Práticas educativas que abordam temas como corpo, limites, sexualidade e uso das redes sociais, de forma adequada à faixa etária, também integram a estratégia de proteção. O documento ainda orienta a atuação da escola em casos como o cyberbullying, mesmo quando os episódios ocorrem fora do espaço escolar, oferecendo diretrizes para mediação de conflitos, práticas restaurativas e educação midiática.
Política viva e em constante construção
Para os especialistas, o Documento de Salvaguarda não deve ser tratado como um instrumento isolado ou meramente burocrático. A proposta inaugura uma política institucional que exige formação continuada e espaços permanentes de diálogo, mantendo-se atualizada a partir das práticas e das transformações sociais que atravessam a escola.


