Política

Marina Silva recebe título de Cidadã Guarulhense na Câmara Municipal

A Câmara Municipal de Guarulhos realizou, na manhã desta sexta-feira (27/03), uma Sessão Solene para a concessão do Título de Cidadã Honorífica Guarulhense à Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

A honraria, oficializada pelo Decreto Legislativo nº 01/2026, é de autoria da vereadora Janete Rocha Pietá (REDE).

O evento reuniu autoridades políticas, representantes de movimentos sociais, estudantes e lideranças acadêmicas no plenário do Legislativo. A mesa de honra teve a presença de nomes como o ex-vice-prefeito e fundador da Rede Sustentabilidade no município, Alexandre Zeitune, e o gestor de Comunicação e ex-presidente da Câmara, Sebastião Alemão, que representou a presidência da Casa.

A concessão do título é o reconhecimento oficial do Poder Legislativo aos serviços prestados pela ministra e à relevância de sua trajetória pública. “Eu me sinto muito honrada com essa deferência de ser considerada cidadã de Guarulhos. Nós daremos continuidade ao trabalho que temos na área da proteção do meio ambiente, do desenvolvimento sustentável, do cuidado com as cooperativas, assim como o trabalho comunitário que é feito por um companheiro nosso, o Antônio, na área da educação, com um cursinho popular para ajudar as pessoas a entrarem nas universidades públicas”, disse Marina Silva.

A vereadora Janete ressaltou o fato de a homenagem ser concedida no mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher. “A Marina é uma mulher forte e determinada, que cumpre um papel mundial, nacional e também aqui na nossa cidade, em defesa da sustentabilidade. É simbólico, em um momento de crise climática, conceder o título a uma mulher que defende essa causa e que ajudou, de uma forma discreta, a implantar um curso popular em Guarulhos e a nos estimular a defesa do meio ambiente”, disse a parlamentar.

Trajetória de Marina Silva 

Durante a cerimônia, foi exibido um vídeo biográfico de Marina Silva, além da leitura, feita por Zeitune, da trajetória da ministra, destacando sua atuação nas pautas ambientais e sociais.

Marina lembrou seus primeiros anos de vida, no meio da floresta amazônica, em um seringal, que era uma unidade produtiva com aproximadamente 250 famílias que trabalhavam em regime de semiescravidão. “Meu pai estudou até o terceiro ano do Ensino Fundamental e me ensinou a fazer as contas para não ser enganada na hora de vender a borracha para o noteiro, porque tinha um percentual que era diminuído do peso da borracha, que era a taxa de umidade, de 17%. Como os seringueiros eram analfabetos, eles tiravam até 30% do valor. O noteiro botava a borracha na balança, e eu ficava de olho, com o meu lapisinho, e fazia as contas para não deixar me enganar”.

A ministra disse ainda que, quando foi para a cidade, aos 16 anos, para ser alfabetizada, não sabia ler, mas sabia as quatro operações matemáticas. “Quando eu entrei na sala de aula, a professora estava explicando os dígrafos e os fonemas. Eu cheguei, no mês de setembro, e na lousa havia imagens de frutas, como banana e caju, e a professora ia formando as palavras, e eu fiz uma operação matemática na minha cabeça. Eu pensei: ‘ela fala o som das letras, soma o som das letras e forma as palavras’. Aí eu pensei: ‘eu vou aprender as letras, o som das letras e vou somá-los’. Quando cheguei em casa, pedi para o meu primo fazer o ABCD para mim, e fiquei quase a noite toda decorando as letras, comecei a somar o som das letras e fazer as palavras, então aprendi a ler. Hoje, quem me conhece sabe que eu escrevo tudo em letra de forma, porque foi assim que eu aprendi. Eu não faço letra cursiva até hoje”, revelou.