Estadão

Mercadante sobre volta da TJLP: Ninguém discute isso

O futuro presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, assegurou nesta quarta-feira, 21, que não está nos planos do governo que tomará posse em janeiro resgatar a TJLP, sigla da taxa de juros que servia de base dos financiamentos de longo prazo do banco durante os governos petistas.

"Não há espaço para a volta da TJLP, ninguém discute isso", garantiu Mercadante em entrevista à imprensa, após almoço com empresários em São Paulo. Mercadante apontou a necessidade de reindustrializar o País, citando que a participação do setor na carteira no BNDES caiu de 16% para 43% nos últimos anos. Também prometeu um "olhar especial" para as micro e pequenas empresas, que, tendo como referencia países como Alemanha e Itália, podem, conforme Mercadante, dobrar o peso relativo no PIB, hoje em 29%.

Apesar disso, Mercadante garantiu que a intenção do futuro governo não será trazer de volta o "BNDES do passado". "Estamos construindo um BNDES para o futuro", disse Mercadante, após repetir que não há espaço fiscal no orçamento para financiar empréstimos subsidiados pelo banco de fomento.

"Temos de buscar novas fontes de financiamento", declarou o futuro presidente do banco, citando oportunidades de captação de recursos da Europa, um total de 55 bilhões de euros à disposição de países de fora do continente, além do montante de R$ 1 bilhão do Fundo Amazônia.

O caminho apontado hoje por Mercadante para derrubar os juros atuais elevados passa pela reversão de expectativas negativas no mercado. "Quem mais vai ganhar são os pequenos <i>empresários</i>", pontuou.

Ele ponderou, porém, que a TLP, taxa que substituiu a TJLP, precisa de ajustes, defendendo que a inflação, considerada no cálculo da taxa, seja baseada numa média, e não na variação mensal. Isso, afirmou, levaria a uma estabilidade maior da taxa, contribuindo ao planejamento financeiro dos tomadores de empréstimos.

Mercadante adiantou que, mesmo sendo uma mudança simples, esse ajuste precisaria ser debatido no Congresso. "Não posso mudar nada sozinho", declarou.

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