Polícia

Mercado paralelo de canetas emagrecedoras cresce em SP e compra ilegal financia crime organizado

O avanço do uso de canetas emagrecedoras, como o Mounjaro, tem impulsionado um mercado paralelo de medicamentos em São Paulo, acendendo o alerta das autoridades de saúde e de segurança pública.

 Operações recentes da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) revelam que a venda irregular desses produtos envolve contrabando, falsificação e receptação, além de representar risco direto à saúde de quem busca preços mais baixos fora do circuito legal.

Segundo a SSP-SP, uma ação policial resultou na apreensão de canetas emagrecedoras sem procedência, comercializadas ilegalmente pela internet e por redes informais, sem qualquer controle sanitário. Os medicamentos não possuíam nota fiscal, registro válido na Anvisa nem garantia de armazenamento adequado — fatores essenciais para a segurança do paciente.

Neste caso, a Polícia Militar prendeu cinco homens, com idades entre 20 e 24 anos, e apreendeu dois adolescentes, ambos de 16 anos, envolvidos em um roubo a farmácia na região da Cidade Líder, zona leste da capital paulista, na terça-feira (6). Com a quadrilha, foram recuperadas 25 canetas emagrecedoras subtraídas na ação criminosa, além de mais de R$ 1 mil em espécie.

Preço baixo, risco alto

O Mounjaro e outros medicamentos à base de tirzepatida e semaglutida têm alto valor no mercado formal, o que estimula a procura por versões mais baratas. Esse cenário tem sido explorado por quadrilhas especializadas, que importam ilegalmente, falsificam rótulos e distribuem os produtos por aplicativos de mensagens e redes sociais.

Autoridades alertam que, além de financiar atividades criminosas, a compra desses medicamentos pode causar efeitos adversos graves, já que não há garantia sobre:

  • composição real do produto

  • dosagem correta

  • conservação em temperatura adequada

  • validade e origem

Medicamento falsificado é crime e ameaça à saúde

A comercialização de medicamentos sem registro ou de origem ilegal é crime previsto no Código Penal e pode resultar em penas severas para quem vende, distribui e até armazena os produtos. A polícia também destaca que o consumidor pode se tornar vítima de estelionato, além de colocar a própria saúde em risco.

De acordo com a SSP-SP, esse tipo de apreensão tem se tornado mais frequente, acompanhando o crescimento da demanda por medicamentos usados para emagrecimento rápido. No entanto, não há um levantamento público específico que detalhe quantos crimes ligados exclusivamente às canetas emagrecedoras ocorreram nos últimos meses no estado.

Alerta ao consumidor

Especialistas e autoridades reforçam que medicamentos como o Mounjaro devem ser adquiridos apenas com prescrição médica e em farmácias regularizadas, evitando riscos à saúde e o fortalecimento de cadeias criminosas.

A SSP orienta que denúncias sobre venda ilegal de medicamentos podem ser feitas de forma anônima pelos canais oficiais.