Política

Moraes ordena transferência de Bolsonaro da Superintendência da PF para Papudinha

Decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes determina mudança imediata de local de custódia do ex-presidente, que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (15) a transferência do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília (DF), para uma unidade no Complexo Penitenciário da Papuda conhecida como “Papudinha”. A decisão atende a um pedido da defesa e já foi assinada pelo relator do processo.

Bolsonaro cumpre desde o fim de 2025 uma pena de 27 anos e três meses de prisão decorrente de sua condenação por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e outras acusações conexas. Até agora, ele estava detido em uma sala de Estado-Maior na Superintendência da PF enquanto prosseguia a fase de execução da pena.

Mudança de custódia e estrutura na Papudinha

De acordo com a decisão, a transferência deve ocorrer imediatamente, sob a responsabilidade da Polícia Militar do Distrito Federal, com comunicação direta à Polícia Federal. Bolsonaro será acomodado em Sala de Estado-Maior no 19º Batalhão da PMDF, no interior do complexo penitenciário, em uma estrutura que inclui quarto, banheiro, cozinha e espaço para atividades.

Moraes também estabeleceu uma série de diretrizes sobre condições de custódia e assistência ao ex-presidente, incluindo:

  • assistência médica permanente em regime de plantão 24 horas, com possibilidade de atendimento por médicos particulares previamente cadastrados;

  • autorização para realização de fisioterapia e instalação de aparelhos, conforme necessidade clínica;

  • alimentação especial diária, conforme indicação da defesa;

  • visitas semanais da esposa e dos filhos;

  • assistência religiosa de líderes indicados pela família.

A nova Sala de Estado-Maior, dentro da Papudinha, é isolada dos demais presos e foi escolhida por apresentar estrutura que permite maior autonomia e segurança, inclusive com áreas externas e condições adicionais para atividades físicas e terapêuticas.

Defesa e contexto da decisão

O pedido de transferência foi formulado pela defesa de Bolsonaro, que argumentou condições médicas e logísticas que justificariam a mudança de local de cumprimento da pena. Moraes considerou que a troca de local pode viabilizar pedidos futuros da defesa, sem, contudo, reverter o regime de cumprimento nem flexibilizar a execução da pena imposta.

Até o momento, a defesa não divulgou posicionamento oficial sobre a decisão, possivelmente aguardando a efetivação da transferência e os termos finais do plano de custódia no complexo penitenciário.

A mudança ocorre em um momento de debate sobre as condições de detenção de figuras de alta exposição pública no Brasil, em meio a decisões judiciais que equilibram segurança, ordem pública e garantias constitucionais no cumprimento de penas determinadas pelo Poder Judiciário.