O vírus influenza sofre mutações constantes, o que exige a atualização anual da vacina contra a gripe. Para definir quais cepas farão parte do imunizante, cientistas de mais de 130 países monitoram a circulação do vírus por meio de uma rede coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
No Brasil, o trabalho de vigilância envolve os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens) e três centros de referência: a Fundação Oswaldo Cruz, o Instituto Adolfo Lutz e o Instituto Evandro Chagas. As análises ajudam a identificar as variantes em circulação e contribuem para a escolha das cepas que compõem a vacina.
Segundo a pesquisadora e pós-doutoranda do Centro para Vigilância Viral e Avaliação Sorológica (CeVIVAS) do Instituto Butantan, Isabela Carvalho Brcko, o monitoramento global permite antecipar as variantes com maior probabilidade de circulação, garantindo maior proteção à população durante o período de maior incidência da gripe.
A vacina trivalente produzida pelo Instituto Butantan, distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), protege contra os subtipos Influenza A (H1N1), Influenza A (H3N2) e Influenza B da linhagem Victoria. Para a campanha de 2026 no hemisfério Sul, duas das três cepas foram atualizadas em relação ao ano anterior.
Além de proteger contra casos graves, internações e mortes, a vacinação também reduz a circulação do vírus e dificulta o surgimento de novas variantes. Apesar disso, a cobertura vacinal ainda preocupa. Dados do Ministério da Saúde indicam que pouco mais de 40% do público prioritário foi imunizado em 2026.
O Instituto Butantan também desenvolve pesquisas por meio do CeVIVAS para mapear a circulação do influenza no Brasil. Estudos mostram que a região Sudeste desempenha papel importante na disseminação do vírus para outras regiões do país e também para nações da América do Sul, reforçando a importância da vigilância contínua e da vacinação anual.

