Nome em teste de Bolsonaro é de filho de farmacêutica

O presidente Jair Bolsonaro utilizou como codinome em um exame para detecção do coronavírus o nome do filho de uma das responsáveis pela coleta do material utilizado na análise, uma farmacêutica que trabalha no Hospital das Forças Armadas (HFA). A informação foi revelada pelo jornal Correio Braziliense e confirmada ao Estadão pelo Ministério da Defesa.

Os exames do presidente Jair Bolsonaro foram divulgados na quarta-feira por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) após o Estadão pedir na Justiça para ter acesso aos laudos. O jornal entrou ontem com um recurso no STF para certificar que o presidente Jair Bolsonaro entregou mesmo à Justiça todos os exames realizados para identificar se foi contaminado ou não pelo novo coronavírus.

Em um dos exames, o nome utilizado é o do jovem R. A. A. C. F., de 16 anos. De acordo com o Ministério da Defesa, a mãe de R.A., que é tenente-coronel da Aeronáutica, coordenava a coleta das amostras para o exame de covid-19 do presidente e de seus assessores. Estava também sob a coordenação dela o envio do material para o laboratório Sabin, responsável pelo exame. O exame foi por coleta de material da nasofaringe, feita no dia 17 de março.

O Estadão está preservando os nomes dos envolvidos por se tratar de um menor. Segundo a Defesa, o nome do filho foi o que "ocorreu" à tenente-coronel no momento da coleta, quando foi pedida a utilização de um codinome. Além de trabalhar no HFA, a tenente-coronel é sócia, com o marido, de uma farmácia de manipulação em Brasília (DF). Em foto nas redes sociais, ela colocou os dizeres "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", slogan utilizado por Bolsonaro.

Na quarta-feira, o Estadão falou, por telefone, com o pai de R.A, marido da tenente-coronel. Ele disse que não sabia o motivo de o presidente ter usado o nome de seu filho. "Você podia perguntar pra ele (Bolsonaro) e me fala depois", disse. O pai, que também é farmacêutico, se negou a responder se o jovem R.A. havia feito exame para covid-19. A reportagem ligou ontem para a mãe, mas ela desligou o telefone depois da identificação da repórter e não respondeu às mensagens enviadas.

O laboratório Sabin disse que não utiliza codinomes nos cadastros realizados em suas unidades. "Os casos referidos foram identificados e colhidos pelo HFA ", informou, em nota.

O Planalto não explicou a decisão de Bolsonaro de utilizar o nome de uma pessoa real. O Ministério da Defesa disse que "o uso de pseudônimos em exames de saúde de pessoas públicas, visando proteger a privacidade, é comum e não representa irregularidade".

Em um outro exame de covid-19, o teste feito por Bolsonaro foi atribuído genericamente ao nome de "paciente 5", sem nenhuma informação adicional. Este laudo foi emitido pela Fiocruz, que disse ter atendido "solicitação advinda do gabinete da Presidência da República".

Ao contrário do que fez com os exames para covid-19, o presidente se identificou com seu nome de batismo em exames médicos feitos no Hospital das Forças Armadas entre junho de 2019 e janeiro de 2020. Um grupo de hackers invadiu o sistema de informações do Exército e divulgou esses exames na internet. As informações são do jornal <b>O Estado de S. Paulo.</b>

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