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NY anima e Ibovespa sobe acima dos 105 mil pontos e retoma alta semanal

A sexta-feira é de recuperação da maioria das ações que integram o Ibovespa e, consequentemente, do índice em si, que está de volta aos 105 mil pontos, depois de sucumbir ao nível de 103 mil pontos na véspera. Enquanto permanecem as dúvidas internas fiscais, o ambiente externo tranquilo ampara a valorização do Ibovespa, além de ajudar na queda do dólar. Já os juros futuros tinham viés de baixa.

Há pouco, o Ibovespa deu um salto, ganhando tração na faixa dos 105 mil pontos, enquanto as bolsas americanas renovavam recordes históricos intraday. Com exceção do índice de materiais básicos que caía 0,85% às 10h50, os demais indicadores setoriais da Bolsa subiam, reforçando a recuperação. Com isso, o Ibovespa já volta a acumular alta na semana, de 1,60%, após declínio de 2,63% na anterior. Porém, em 2021, ainda tem perdas de 11,68% e de 4,83% em um mês.

"Deve ser uma recuperação parcial, já que o mercado está preocupado e com aversão a risco em meio a problemas fiscais, enquanto não tiver uma definição em relação à PEC dos Precatórios, pois não se sabe onde terminará e como ficará", diz José Faria Júnior, planejador financeiro pela Planejar. .

Outra fonte de alívio é a safra de balanços, com destaque o Bradesco. O banco teve o segundo maior lucro da história no terceiro trimestre, o que pode estimular compras de ações do setor financeiro hoje na B3. Perto de 11 horas, Bradesco PN subia 6,40% e ON tinha alta de 4,84%, puxando os demais papéis de bancos, com exceção de Itaú Unibanco PN (-0,30%).

Lá fora, o destaque é o relatório de emprego norte-americano, o chamado payroll. Após a divulgação do indicador, o Ibovespa futuro acelerou a alta, renovando máximas na faixa dos 105 mil pontos. Os Estados Unidos criam 531 mil empregos em outubro; previsão de 400 mil. A taxa de desemprego caiu a 4,6% (projeção de 4,7%). Já o salário médio por hora avançou 0,40% em outubro ante setembro, como previsto, e 0,40% no confronto interanual.

De acordo com o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, os números vieram bons, mostrando que recuperação da economia americana está acontecendo. "Porém, os resultados deixam os investidores atentos quanto a juros possibilidade de alta", diz, ao referir-se ao fato de que um ambiente econômico mais aquecido tende a pressionar a inflação e, consequentemente o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).

Embora o dado tenda a reforçar debates a respeito do ritmo de retirada do tapering e sobre o inicio do aumento de juros por lá, por ora, é bem visto. "É importante para entender como será a relação do tapering quanto será o volume ser retirado em 2022 e sobre juros. Quando vai ter alta de juros? Por ora, se tiver, só no último trimestre", avalia Gustavo Cruz, da RB Investimentos. Após os dados, diz, o presidente do Fed, Jerome Powell, pode ganhar mais força para continuar no comando da autoridade monetária.

No entanto, seguem no radar renovadas preocupações com a saúde fiscal de incorporadoras da China, principal parceiro comercial do Brasil, e pendências ligadas ao fiscal no Brasil. O investidor continua acompanhando os desdobramentos da votação apertada da PEC dos Precatórios em primeiro turno, na madrugada de ontem, na Câmara, o que reforça que os próximos passos serão difíceis. A expectativa é que a votação em segundo turno aconteça na terça-feira e, caso passe, em seguida irá para o Senado.

A questão é que para avançar a PEC o governo decidiu abrir o cofre, o que tende a reforçar a preocupação do mercado com as contas públicas lá na frente, gerando desconforto. Desde a semana passada, empenhou R$ 1,2 bilhão das chamadas emendas de relator-geral – o mecanismo do orçamento secreto. O presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas- AL), admitiu que não há alternativa "que não seja furar o teto de gastos". Além disso, pressão de PDT, PSB e PSDB pode dificultar a aprovação da PEC dos Precatórios em segundo turno.

Em meio a estas preocupações, o Ibovespa fechou ontem com queda de 2,09%, aos 103.412,09 pontos e, no pior momento caiu para 102.835,17 pontos. "Dia desastroso, com o índice vazando ao longo do pregão para os 102 mil pontos", ressalta em nota o economista-chefe do ModalMais, Álvaro Bandeira. Neste cenário, acredita que há "muito" espaço para recuperação. "Não pode perder os 102 mil, os 100 mil pontos sob pena de acelerar vendas", recomenda.

Em meio à demanda fraca por conta das medidas impostas pelo governo chinês à produção de aço no país, os contratos futuros de minério de ferro fecharam em queda, assim como no mercado à vista (-6,95%, a US$ 93,14 a tonelada, em Qingdao). O declínio pesa nas ações da Vale, que cediam 1,44% perto de 11 horas.

O petróleo, por sua vez, sobe moderadamente no exterior, após o recuo da véspera, quando a Opep+ manteve a estratégia de elevar sua oferta em 400 mil barris por dia (bpd), apesar de pressões dos EUA por um aumento mais agressivo. Os papéis da Petrobras aproveitam para recuperar-se, com alta em torno de 1,80% (PN) e de 1,50% (ON).

Além de avaliar com afinco os dados do Bradesco, cujo lucro líquido recorrente subiu 34,5% em relação ao terceiro trimestre de 2020 e 7,1% ante o segundo trimestre de 2021, o investidor acompanhará o detalhamento do balanço pela diretoria do banco. Vale lembrar que ontem o presidente do Itaú, Milton Maluhy, estimou piora da inadimplência em 2020, em meio ao quadro atual incerto.

Às 11h, o Ibovespa renovava máxima e atingia 105.555,46 pontos, em alta de 2,07%, ante mínima aos 103.412,09 pontos.

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